sexta-feira, 5 de junho de 2009

Por um dia serei Tricolor!

Nesta quinta-feira, faleceu o Dr. Durval Valente, meu avô. Talvez os leitores deste blog não saibam quem ele foi, mas eu queria fazer uma homenagem para esse cara que eu admirava bastante e ao mesmo tempo trazer uma história interessante, ligada ao tema do nosso espaço virtual, o esporte.

Não precisei pensar muito, já que Durval foi médico do Fluminense durante alguns anos, trabalhando, inclusive, com Carlos Alberto Parreira, atual treinador do clube. E foi durante um Fluminense e Vasco, em pleno Maracanã lotado, que aconteceu a história que vou narrar, quando o craque do tricolor, Rivelino, recebeu uma entrada dura de um adversário e caiu no gramado.

O juiz da partida, ninguém menos que o famoso Arnaldo César Coelho, ignorou a entrada e deixou o astro lá, atirado no gramado, pensando não passar de uma bela cera. Foi então que o Dr. Durval invadiu o campo, ignorando a negação do juiz, e correu para atender Rivelino, ainda sentindo dor no chão. Foi ai que aconteceu uma das cenas mais inusitadas que o Maracanã já viu.

O Sr. Arnaldo não gostou da atitude do médico tricolor e sacou do bolso o instrumento que é utilizado exclusivamente para advertir os jogadores, um cartão vermelho. Foi ai que meu avô se tornou o único médico no Maracanã a ser expulso de campo, com direito a cartão e foto enviada por um fotografo do Jornal do Brasil. E talvez um dos poucos cartões dados não por uma falta violenta ou por um xingamente, mas por um ato de bravura, de quem tinha certeza de qual era o seu dever.

O doutor um dia foi flamenguista. Mas depois de passar alguns anos pelas Laranjeiras, passou a dizer com orgulho que era tricolor, negando inclusive que tivesse sido rubro-negro algum dia. Percebendo que ele realmente acreditava naquela mudança de time e que algo muito bom deve ter acontecido para ele durante sua passagem pelas Laranjeiras, em sua homenagem farei o mesmo caminho e, por um dia, direi com orgulho que sou torcedor do Fluminense.

Que Deus o tenha e obrigado por tudo, doutor. Sentiremos sua falta, por tudo de bom que fez por essa família e por todos que o cercaram.

9 comentários:

Felipe Vasconcellos disse...

Belo post cara e muito boa a história. Não conhecia. Abraços

Júnior Maurell disse...

Meus sentimentos Valente!! Bela história !!! E o Arnaldo hemm.....que mico....

Marcelo Sperandio disse...

Excelente história, e muito bem escrita. Uma comprovação de que o esporte é muito mais do que o resultado final. Meus sentimentos, parceiro! O Dr. foi, mas as histórias ficam! E que venham mais cervejas como as de ontem. Parabéns pelo blog, galera! Abração!
Marcelo Sperandio.

victor costa disse...

esse foi o primeiro passo... daqui a pouco vai seguir os passos do avô e frequentar o maraca do lado da torcida tricolor

henrique cibulska disse...

Parabens, belo texto e grandes recordacoes............
Um abracao !!!!!!!!!

cecilia disse...

Primo, adorei!!!
Tambem sinto muita falta do vovô, especialmente pelo coracao enorme que ele tinha e é claro pela leveza de levar a vida ; para ele estava sempre tudo otimo, não é mesmo?!

Parabens pelo texto!
beijocas grandes

Alzira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alzira disse...

Meus sentimentos, Victor.
Bonita história, também não conhecia.
Sou da família também, minha mãe era prima do seu avô. Gostava muito dele também.
Um abraço.
Alzira Valente.

argeu affonso disse...

Tive o prazer de conhecer seu avô, qaundo era jornalista e cobria o nosso (meu e dele) Fluminense. Depois, já metido na "cozinha" do Globo, como secretário de redação, um sábado apelei para ele pois uma colega nossa, vítima de acidente de carro, fora levada para o Souza Aguiar e o prognóstico era amputação de uma perna. Pedi que ele, com seu conhecimento, fizesse o possível para evitar a perda dolorosa para uma moça que só tinha 22 anos. Ele, como era de seu hábito, tomou as rédeas do caso e com sua equipe salvou a repórter do trauma da amputação. Ela, claro, ficou com alguma atrofia, até hoje usa bengala para apoio, mas pisa com os pr´prios pés. Humano e VALENTE, esse seu avô.