segunda-feira, 25 de maio de 2009

EN LAS MANOS DEL VIRREY

Após a derrota para o Defensor, um furacão passou por La Boca. Falou-se abertamente que Carlos Ischia já havia cumprido seu ciclo a frente do Boca Juniors. Após o jogo, Palermo declarou que algumas coisas precisavam ser mudadas. Mas então quem assumiria o comando da equipe?

Dois nomes surgiram logo depois da queda para o clube uruguaio: Alfio Basile e Carlos Bianchi. Com a eliminação precoce, o Boca deixou de faturar 2,6 milhões de dólares tidos como certos pela contabilidade xeneize. Sem essa grana, o balanço do clube na temporada 2008/2009 vai fechar no vermelho. Logo, a contratação de um nome como Alfio Basile foi descartada. O presidente Jorge Amor Ameal se reuniu com Ischia e Bianchi. Ficou decidido que o Pelado ficaria no comando até o fim do Torneio Clausura, ou seja, dirigiria o time em mais cinco partidas. Depois, Bianchi acumularia os cargos de treinador e manager, com total autonomia para contratar reforços. Assim como Sir Alex Ferguson, no Manchester United, teríamos a versão portenha do escocês. Seria Mr. Bianchi ou Sir Charles? Mas parece que o Virrey não quer mais ser treinador.


Bianchi deve ter refletido como seria difícil acalmar um grupo convulsionado, equilibrar as ações em meio à divisão existente no plantel, e manter a equipe no nível competitivo que os dirigentes e torcedores se acostumaram a ver. Realidade, aliás, criada pelo próprio Bianchi. Mas o senhor de cabelos grisalhos parece pensar estar velho demais para tudo isso. Tanto que quando foi chamado para ser manager, obrigou Ameal a incluir em seu contrato a cláusula de que não poderia assumir o comando do Boca após a demissão de Ischia. Agora, e com razão, Bianchi se fia nesta cláusula para não virar o treinador após o fim do Clausura. Todavia, será do Virrey a indicação para o próximo técnico do Boca. E quem seria esse nome? O próprio Coco Basile continua na lista. Outro nome especulado é o de José Pekerman, atualmente no Toluca, do México. A aposta também poderia vir da nova geração de técnicos argentinos: o ex-jogador do Boca, Diego Cagna, que fez um bom trabalho no último Torneio Apertura, comandando o pequeno Tigre à terceira colocação.

Capítulo 15
Ainda de ressaca após a eliminação precoce na Libertadores, o Boca perdeu mais uma no Torneio Clausura. Jogando muito mal, foi presa fácil para o Vélez Sarsfield, que aplicou 2 a 0 sem maiores dificuldades. O clima no José Amalfitani foi mesmo de fim de festa no lado azul y oro. Jogadores e o técnico Carlos Ischia (que está com prazo de validade acertado), não mostraram nenhum interesse em campo. De maneira melancólica, o Boca se acomodou na 17ª colocação. Já o Vélez segue na corrida pelo título.
Enquanto isso, a alegria voltou a Núñez. O River Plate venceu jogando bem. No Monumental o Millonário bateu o tíbio Independiente por 2 a 0, gols de Falcao García, que ainda perdeu um penal, e Barrado. Foi a melhor exibição do River em 2009 e está em sexto. Já o Rojo continua fazendo péssima campanha, 16º colocado, e há 10 anos não sabe o que é vencer um clássico contra o River.
O ponteiro continua sendo o Lanús, que venceu o chamado Clásico del Sur, contra o Banfield. O Granate venceu por 1 a 0, gol do artilheiro Sand, na casa do Taladro. Juntinho a Vélez e ao Lanús, está o Huracán. O grande azarão do campeonato ganhou mais uma. De novo esbanjando excelente futebol, o Globo venceu o combalido Rosário Central, fora de casa, por 2 a 1. Dois gols do sensacional atacante Pastore. A derrota foi péssima para o Canalla, que cada vez mais se enamora com o rebaixamento. Em contrapartida, o Racing foi favorecido com esse resultado e arrancou um empate heróico em 0 a 0 contra o Colón, em Santa Fé. Bom resultado para a manutenção da Academia na Primeira Divisão. Agora faltam apenas quatro rodadas e muita coisa ainda pode acontecer. Lanús, Vélez e Huracán lutam cabeça a cabeça pelo título. Acho que vai dar Vélez, mas estou torcendo abertamente pelo Huracán.
Classificação: Lanús 31, Vélez 30, Huracán 29, Colón 25 Descenso: Racing 1,191; Rosário Central 1,155; Gimnasia La Plata 1,127; San Martín 1,088 e Gimnasia de Jujuy 1,027.


Ojo!!!!!

Com a péssima campanha que faz neste Clausura, o Boca Juniors se vê obrigado a conquistar o título do próximo Apertura se quiser estar na Libertadores de 2010. Isso porque as cinco vagas argentinas para o torneio são distribuídas da seguinte maneira: Uma para o campeão do Clausura e outra para o campeão do Apertura imediatamente anteriores ao torneio continental, ou seja, este Clausura e o próximo Apertura. As demais três vagas são distribuídas entre as equipes com melhores médias de pontos no ano. Com esse campeonato pífio é difícil imaginar que o Boca alcance uma boa média. O mesmo raciocínio serve para o River Plate. Está em sexto e tem que fazer uma campanha excelente para se garantir na próxima Libertadores. Só que as coisas estão “mais fáceis” para o Millonário. Não tem a obrigação de ser campeão, mas provavelmente será obrigado a terminar entre os três primeiros colocados. Enfim, a Libertadores de 2010, muito provavelmente, não vai ter a dupla mais famosa do futebol argentino.
Pero no mucho...
Acho exagerada a esfuziante comemoração de jornalistas, dirigentes, treinadores e jogadores dos clubes brasileiros envolvidos na Copa Libertadores, pela eliminação do Boca. Lendo as declarações, parece que um verdadeiro demônio foi exorcizado do caminho dos brasileiros. Parece que a Libertadores agora é apenas uma formalidade para Grêmio, Cruzeiro, São Paulo e Palmeiras. Pois eu não vejo tanta certeza num título verde-amarelo. É claro que pelo menos um time brasileiro vai estar na final. Até porque o Grêmio pega o adversário mais fácil nesta fase, o Caracas, e depois vai encarar São Paulo ou Cruzeiro. Mas do outro lado da chave, o irregular Palmeiras pode cair frente o Nacional. O Estudiantes, que aos poucos vai se acertando, também pode ser um adversário fortíssimo numa decisão. Isso sem falar no Defensor, “o exorcista da Bombonera”. É um time que joga um futebol acertadinho e pode vir a ser um novo Once Caldas. Y porque no???
Por Raphael Martins

Um comentário:

daniel disse...

uma pena o professor aéreo não querer mais ser treinador. estou muito curioso para ver o que ele faria como manager, comandando uma possível reformulação no Boca. Acho Cagna um bom nome, uma aposta. Coco Basile nem tanto.
Se pensar em reformulação, renovação, na minha ótica o ideal é começar exatamente pelo comando técnico.
Grande abraço e parabéns pela excelente coluna