terça-feira, 9 de março de 2010

FINALMENTE UN GRANDE

Apenas na oitava rodada do Clausura um dos cinco grandes alcançou a liderança do campeonato. Coube ao Independiente, o Rojo de Avellaneda, tal feito. No último domingo, o time comandado por Américo Gallego fez o River Plate comer literalmente o pão que o Diablo amassou. Jogando em seu estádio, o remodelado Libertadores da América, o Independiente apresentou bom futebol e jogou muito mais que o River. O que não vem sendo algo muito difícil nos últimos anos.

A vitória por 2 a 0, com gols de Darío Gandín e Silvera, foi mais do que justa. Mostrou um Independiente consciente durante os noventa minutos. Um time conhecedor de sua superioridade técnica em relação ao rival. Quanto ao River, fez uma partida mediana no primeiro tempo e foi um desastre no segundo. Falta qualidade técnica a essa equipe e o técnico Leonardo Astrada dificilmente conseguirá sequer uma classificação para a próxima Copa Sul-Americana.

O Independiente assumiu a ponta beneficiado também pelos tropeços de Godoy Cruz e Banfield, que estavam à sua frente antes da rodada começar. O time de Mendoza perdeu para o Newell’s Old Boys por 2 a 1, em Rosário. Já o atual campeão argentino ficou num 0 a 0 com o Atlético, em Tucumán. Empate que custou a cabeça do treinador do Decano, Chiche Sosa, substituído por Mario Gómez, ex-Belgrano de Córdoba. Com isso, o Rojo lidera com dois pontos de vantagem sobre o Tomba e a três do Taladro.


DTs en peligro


Outros técnicos também estão na corda bamba. Abel Alves, do Boca Juniors, é um deles. Após a derrota no clássico para o Racing por 2 a 1, na Bombonera, o nome de seu provável substituto veio à tona. Diego Cagna, ex-jogador do Boca e que levou o modesto Tigre a dois vice-campeonatos é o primeiro da lista. O próprio Riquelme seria partidário da chegada do ex-xeneize ao posto de técnico. E quando o camisa 10 de La Boca pede algo...

Em Boedo, Simeone respira aliviado. O Cholo viu seu cargo fora de perigo depois da vitória de 3 a 1 sobre o modesto Chacarita. Romeo, duas vezes, e Sebastián González anotaram os gols do San Lorenzo. O Ciclón é outro grande que vem fazendo campanha ruim. É apenas o décimo terceiro, com apenas 10 pontos somados.

No interior, em Santa Fé, Antonio Mohammed, o treinador há mais tempo no comando de uma equipe no futebol argentino, também padece. O Colón perdeu por 3 a 0 para o Arsenal, em Sarandí. O Sabalero não mostra mais o futebol consistente da última temporada, que o fez chegar à Pré-Libertadores, afunda na classificação e quem paga é o treinador.

Outros resultados: Lanús 0-0 Estudiantes; Huracán 2-3 Tigre; Argentinos 1-0 Vélez; Gimnasia 1-1 Rosario Central.

Classificação: Independiente 17; Godoy Cruz 15; Banfield 14; Vélez, Newell’s, Colón e Gimnasia 12; Estudiantes, Argentinos e Tigre 11; Chacarita, Racing, San Lorenzo e Arsenal 10; Huracán e River 9; Boca e Lanús 8; Rosario Central e Atlético Tucumán 5.

Descenso: Rosario Central 1,135; Gimnasia 1,125; Chacarita 1,074 e Atlético Tucumán 1,000


Oscar de Racing









E o Oscar foi para o Racing Club de Avellaneda. Isso mesmo senhores, para La Academia. O diretor de “O Segredo dos seus Olhos”, filme argentino que levou a estatueta de melhor película estrangeira, Juan José Campanella, é hincha do Racing. Outro motivo é que um dos personagens principais do filme, o assassino buscado pelo detetive protagonizado pelo ator Ricardo Darín, é um torcedor do Racing. Em uma das cenas do filme é mostrada uma perseguição, em pleno Estádio do Huracán, durante uma partida entre o Globo e o Racing.


Por Raphael Martins

domingo, 7 de março de 2010

Vitória merecida

Não foi um grande jogo no Maracanã. Mas a vitória do Fluminense sobre o Botafogo por 2 a 1 foi mais do que merecida. Novamente o time de Joel foi inferior, ficou atrás o tempo todo e só tentava chegar na sua única jogada que tem: a bola aérea. E foi assim que o Alvinegro fez 1 a 0. Depois de falta cobrada na área, Jéfferson defendeu e no rebote Maicon fez penalti em Wellington. Herrera bateu e fez.

Isso e mais uma cabeçada de Loco Abreu ainda na primeira etapa. Foi tudo que o Botafogo produziu durante os 90 minutos. Já o Flu foi melhor desde o primeiro minuto. Fred perdeu um gol inacreditável, debaixo da trave, mas se redimiu em grande estilo marcando um golaço de voleio na segunda etapa. O menino Wellington Silva entrou muito bem novamente e foi dele a jogada do gol da virada tricolor, marcado por Mariano. O garoto ainda quase deixou o dele logo depois, mas parou no goleiro botafoguense. Como hoje foi noticiado de que Maicon está quase acertado com o futebol russo, a titularidade de Wellington é iminente.

A derrota mostra que o Botafogo tem uma equipe limitada sim e depende de lances esporádicos de seus atacantes. Nem sempre vai funcionar, como hoje não funcionou. Joel precisa promover logo a entrada dos novos contratados, especialmente Edno, que neste domingo foi ao campo somente aos 38 do segundo tempo. Lucio Flavio não dá mais. Sua presença quase não é notada, a não ser quando é substuído e vaiado pela torcida. O Fluminense, por sua vez, mostrou um bom futebol, especialmente os alas Julio Cesar e Mariano, além, é claro, de Fred, Maicon e Wellington Silva. Mas ainda precisa melhorar o setor defensivo e a saída de bola. Os erros de passe são demasiados, inclusive o gol alvinegro saiu assim.

O ponto negativo do clássico foi mais uma vez o público: 11 mil pagantes e 17 mil presentes. Infelizmente esta é a tônica deste Estadual. Abram os olhos, dirigentes!

Seriedade + qualidade técnica = goleada

Como o Passando a Bola é um blog de esportes e não de fofocas, deixarei de lado os problemas pessoais de Adriano e o tal episódio do baile funk dos jogadores do Flamengo. Falarei de algo muito mais importante, que foi a boa vitória do Rubro-Negro diante do frágil (e igual aos outros pequenos do Rio) Resende por 4 a 0.

Talvez tenha sido a melhor apresentação do Flamengo no ano durante os 90 minutos (no Fla-Flu a atuação de gala foi apenas na segunda etapa). Desde o início da partida os jogadores mostraram seriedade e disposição ofensiva para marcar gols, diferentemente daquele toque de bola lateral, típico do Fla quando tem o adversário sob controle. O primeiro tempo só não terminou com um placar maior do que o 1 a 0, gol de Mezenga, porque o goleiro Cléber fez ótimas defesas - uma delas incrível em uma cabeçada de Fernando. Porém, no segundo tempo, não teve jeito. Jogando de forma rápida e objetiva, o time de Andrade construiu a goleada com gols de Léo Moura (que está virando especialista em cobranças de falta na entrada da área), Vinícius Pacheco e Vagner Love.

A equipe toda foi bem, sem exceção, mas destaco Juan, que enfim mostrou bom futebol, Fernando, firme nos desarmes e com boa visão para sair jogando, e Vágner Love, que mais uma vez mostrou muita vontade, além de ter marcado gol (seu décimo no campeonato) e dado uma assistência. Outras boas notícias foram as entradas de Petkovic e Ramon. Pet conseguiu boas jogadas com Pacheco e é capaz que Andrade escale os dois desde o começo na partida de quarta, contra o Caracas. Já Ramon, novamente, deu mostras de que será bastante importante. Outra vez ele entrou, jogou pouco tempo, mas o suficiente para participar diretamente de um dos gols.

O Flamengo, pelo menos até quarta, deixa de lado o princípio de "crise" que alguns da imprensa insistem em criar para se preparar com mais tranquilidade para a sequência de partidas que terá agora. Fosse eu o Andrade e domingo, diante do Vasco, escalaria uma equipe reserva, já que o objetivo maior é a Libertadores e o elenco rubro-negro tem opções interessantes para formar o time para o clássico sem usar os titulares.

quinta-feira, 4 de março de 2010

NUNCA DUVIDEM DESSA CAMISA

Olá blogueiros. Venho repercutir a vitória da Argentina, por 1 a 0, em cima da Alemanha, em Munique. O caos que assombrou nossos hermanos parece ter acabado com a classificação sofrida para o Mundial. O técnico Maradona armou uma equipe mais equilibrada e com uma atenção especial para a defesa, com uma linha de quatro zagueiros na defesa (Otamendi, Demichelis, Samuel e Heinze), e com um ataque leve e habilidoso. Os argentinos colocaram os alemães na roda e venceram sem maiores problemas em pleno estádio Allianz-Arena. Confira a escalação: Romero, Otamendi, Demichelis (Nicolas Burdisso), Samuel e Heinze (Clemente Rodríguez); Jonás Gutiérrez, Mascherano, Verón (Bolatti) e Messi; Di María e Gonzalo Higuaín (Tevez).

Na minha visão, aquela Argentina desorganizada e mal escalada ficou no passado. Agora é Copa do Mundo e Maradona sabe disso. A escalação de ontem mostra bem essa mudança de filosofia. Dieguito vai apostar na posse de bola, na marcação pressão e no talento de seus homens de frente. Para meu gosto eu escalaria na vaga do “parrudo” Gutiérrez, o bravo Cambiasso da Inter de Milão. No comando de ataque eu prefiro à dupla Tevez e Higuaín, mas concordo que o habilidoso Di Maria merece lugar no time do El Pibe. De resto, concordo com a escalação de Mascherano, Verón e Messi no meio-campo argentino.

Para a estreia na Copa, dia 12 de junho, contra a Nigéria, Maradona deve escalar a mesma equipe que venceu a Alemanha com apenas uma mudança: sai Otamendi e entra Angelere. O lateral-direito, campeão da Libertadores pelo Estudiantes, está se recuperando de contusão e tem a confiança do comandante. No restante, apenas algumas duvidas no grupo de jogadores. A principal duvida está na convocação ou não de Palermo, maior artilheiro da história do Boca Juniors. Para essa posição Maradona vem contando com Diego Milito (Inter de Milão) e Higuaín (Real Madrid). Acredito que essas duas opções são as melhores para a posição de centroavante, mas o coração xenense de Don Diego pode surpreender.

Para encerrar, acredito na boa campanha da Argentina na Copa do Mundo. Essa aposta na defesa aguerrida e na qualidade dos atacantes já deu certo com o Brasil em 94 e pode muito bem se repetir com nossos vizinhos.

OBS: Assim como o Brasil na conquista do tetra, os Argentinos estão 24 anos sem vencer uma Copa e se classificaram na última rodada das Eliminatórias contra o Uruguai. Olho neles!

Quarta-feira de cinzas

Que quarta-feira melancólica no futebol carioca. Tempo chuvoso, meio frio, trânsito, ingressos caros, jogos sem importância, adversários fracos... São muitos os motivos para a total ausência de torcida nos jogos de Flamengo e Vasco. No Engenhão, menos de mil pessoas pagaram pra ver o Cruzmaltino derrotar o Bangu por 2 a 0. No Maracanã, o jogo do atual campeão brasileiro foi visto por pouco mais de 5 mil pessoas.

Talvez por isso, as duas partidas tenham sido tão chatas. O jogo do Flamengo, então, deu sono. Aliás, os próprios jogadores pareciam estar com mais vontade de dormir. O fato de enfrentarem equipes muito inferiores deve contribuir pra isso, já que dá a sensação de que a qualquer momento você pode matar a partida. E foi isso que aconteceu diante do Madureira. Em duas oportunidades em que mostrou mais disposição, o Rubro-Negro fez 2 gols com Fernando e Vágner Love (este um belo gol, do artilheiro do campeonato com 9 gols). Boa notícia foi novamente o fato da defesa não ter sido vazada e a boa participação de Ramon na segunda etapa. Mais uma vez ele entrou, mostrou qualidade e fez a jogada do gol de Love. Sábado, contra o Resende, fosse eu o Andrade, colocaria em campo um time misto, dando oportunidade pra quem ainda não jogou muito (casos de Ramon, Pet, Rodrigo Alvim, Everton Silva, David...) e poupando os titulares, pois quarta tem confronto difícil contra o Caracas, na Venezuela, pela Libertadores.

Em relação ao Vasco, mais uma atuação apagada, que irritou os poucos torcedores que se aventuraram no Engenho de Dentro. Pelo menos Dodô voltou a marcar. Mesmo com o pouco futebol apresentado não consigo entender o comportamento dos vascaínos. O time de Vágner Mancini perdeu apenas uma vez no ano, numa final de turno, e mesmo assim é cobrada como se estivesse protagonizando fiasco atrás de fiasco. Vale lembrar que a união torcida/time foi fundamental no retorno do Vasco à Série A. Então seria mais inteligente continuar com esse apoio.

- Pra encerrar, uma nota curta sobre futebol paulista: que fase do Palmeiras hein? Pra quem achava que o problema era o Muricy, está cada vez mais provado que não. Derrota de 3 a 1 pro Santo André, em casa. Claro que o Time do ABC tem seus méritos, é, inclusive, o vice-líder do Paulistão, mas é inadmissível que o Palmeiras sucumba no Palestra Itália do jeito que o fez e vem fazendo. O time não é dos melhores, mas também não pode se dizer que é fraco. Não o suficiente pra ser o 10 colocado. Para completar Marcos disse que se aposenta no final do ano e a torcida xingou bastante Diego Souza, quando este foi expulso, além, é claro, da diretoria, presidente, jogadores, comissão técnica... Está feia a coisa por ali.

quarta-feira, 3 de março de 2010

OPTIMISTA DEL GOL

Finalmente o dia chegou. A noite de 1º de Março de 2010 entrou para a História do Boca Juniors. O Estádio José Amalfitani, do Vélez Sarsfield, foi palco do gol 218 de Martín Palermo com a camisa Xeneize. Assim, o “Otimista do Gol” iguala a marca de Roberto Cherro como maior artilheiro boquense de todos os tempos. Um mito, um fenômeno, um personagem este Martín.

Injustamente o atacante ficou marcado pelos três pênaltis perdidos contra a Colômbia na Copa América de 1999. Ficou afastado até mesmo da seleção argentina até as rodadas finais das Eliminatórias, em 2009. Dez anos de ausência. E neste período Palermo conquistou tudo o que podia com a camisa do Boca, tornando-se um dos ídolos máximos da 12. Para o imaginário do hincha comum, Palermo está no nível de Riquelme e Maradona.

Quando voltou a seleção, Palermo salvou a Argentina da eliminação. O gol contra o Peru, debaixo de um dilúvio, só poderia ter sido obra de um jogador com a vivência dele.

Um homem de bom coração, simples, que tenta, a todo momento, ser uma pessoa comum, que faz o seu trabalho com prazer. E acaba levando alegria a milhões. Este é Palermo. O super-herói que superou lesões, a morte de um filho recém-nascido, questionamentos quanto a seu rendimento, marcando gols. Os gritando como se quisesse exortar da alma as suas angústias.

Além dos 218 gols, Palermo é o maior artilheiro do Boca Juniors em partidas internacionais. Ninguém marcou mais do que ele também na Bombonera. Parabéns Palermo, nós o saudamos!

Só para registrar, Vélez Sarsfield e Boca Juniors empataram em 4 a 4. O gol histórico foi o terceiro e nasceu numa jogada genial, mais uma, de Riquelme. Palermo completou de cabeça para as redes. Para tornar o feito mais folclórico, o atacante ainda perdeu um pênalti, defendido por Montoya. Quem importa? Palermo é Palermo.
Por Raphael Martins

Sede por polêmica

Chega a ser cruel toda essa polêmica criada em torno da foto em que o menino Wellington Silva, do Fluminense, veste a camisa do Flamengo. Cruel porque após estrear pela equipe profissional do Flu, no Maracanã, com a camisa 10, jogar bem e marcar um gol, Wellington deixou no vestiário as frases feitas e a falsa emoção para ser o que ele realmente é: um menino de 17 anos. E como tal, chorou. Um choro sincero, emocionado, de alguém que teve que batalhar muito na vida para conseguir chegar ali, naquele momento especial.

Pois bem. Há prova maior de amor a um clube do que o choro de alegria ao realizar o sonho de entrar em campo trajando a camisa que defende desde criança? Será que o simples fato de vestir uma camisa de um rival é o suficiente para tentar se criar uma polêmica às custas da ingenuidade de um adoslescente? Por que, ao invés de insistir em algo tão superficial, os jornais não vão investigar e buscar as razões para um número cada vez maior de jovens cada vez menores estarem sendo negociados para o exterior?

Não sejamos hipócritas. TODOS os jogadores de futebol têm um time de coração, é natural. Assim como todo jornalista o tem também. É impossível gostar de futebol e não ter uma paixão clubística, pois uma está intimamente ligada a outra. E se Wellington Silva realmente fosse rubro-negro quando mais novo? Isso faz dele um traidor do Tricolor? Junior e Andrade, ídolos eternos do Flamengo, admitiram que, quando crianças, torciam para Fluminense e Botafogo, respectivamente. E isso não os impediu (pelo contrário) de fazer história por um rival. Portanto, deixem o Wellington Silva em paz, fazendo o que sabe e vamos apreciar seu futebol, até porque teremos pouco tempo para isso, já que em 2011 seu destino será a Inglaterra.