quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Passou o menos pior

Quarta-feira, 22 horas, dia chuvoso no Rio de Janeiro, transmissão em TV aberta e fechada, times mal no Campeonato Brasileiro. Os motivos para não comparecer ao Maracanã ontem eram muitos. Talvez por isso apenas pouco mais de 10 mil pessoas se aventuraram no Maior do Mundo para ver um Fla-Flu que valia classificação para as oitavas-de-final da Sul-Americana, a segunda maior competição do continente, mas que ainda não empolga ninguém, especialmente neste início. E o jogo foi realmente muito chato. De dar sono.

As duas equipes correram, se esforçaram bastante, mas o quesito qualidade técnica foi praticamente ignorado. E o resultado (1 a 1) foi justo, classificando o Tricolor para a próxima fase por ter marcado um gol na partida de mando rubro-negro - o primeiro jogo tinha sido 0 a 0. O começo da partida foi até animador, mas durou apenas 10 minutos. Depois foi um festival de passes erradas, cruzamentos fracos e poucas oportunidades de gol. Até que nos acréscimos, Ronaldo Angelim chegou atrasado e derrubou Kieza em cima da linha. Os flamenguistas reclamaram (aliás, reclamam até agora) que foi fora da área, mas o árbitro chileno Carlos Chandía marcou penalti corretamente. Roni bateu bem e abriu o placar.

Na segunda etapa o Flu tratou de segurar o resultado desde o início, tocando a bola e tentando explorar os contra-ataques. Às vezes apelou para uma cera chata, interrompendo o jogo em vários momentos com jogadores caídos no gramado. Ao Flamengo restava a virada. Mas o time, apesar do domínio, criou pouco. Conseguiu o empate em uma jogada de técnica e sorte de Dênis Marques, mas as expulsões de David e Fierro atrapalharam os planos da equipe de Andrade e o placar ficou mesmo no 1 a 1.

Para o Tricolor fica o gostinho especial de eliminar o maior rival, o que pode servir até de estímulo para o clube melhorar sua situação no Brasileiro que não é nada boa, para não dizer algo pior. Na próxima fase o Flu encara o vencedor do confronto entre o peruano Alianza Atletico e Deportivo Anzoatégui, da Venezuela. Agora as atenções têm que ser voltadas para o Santos, adversário difícil de domingo na Vila Belmiro. Mais uma derrota e o destino tricolor para o ano que vem estará praticamente traçado.

Já o Flamengo continua na draga. Apesar de não achar que Andrade tenha culpa, sabemos que no futebol, especialmente o brasileiro, isso não conta muito. Se os resultados não melhorarem logo, não duvido que o ídolo rubro-negro corra sérios riscos de, no mínimo, voltar a ser auxiliar. O que, para mim, seria burrice, pois é notório que os desfalques são muitos e enfraqueceram bastante o elenco. Sábado tem jogo importante com o Santo André, no Maraca, e a vitória é fundamental. Senão a próxima semana será explosiva na Gávea.

CORREÇÃO!!

Olá blogueiros. Queria fazer uma correção. Na abertura do PASSANDO A BOLA ENTREVISTA, eu apresento o Botafogo como Clube de Regatas do Botafogo. Mas todos nós sabemos que é Botafogo de Futebol e Regatas. Com isso peço desculpas aos fãs do Glorioso Alvinegro.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PASSANDO A BOLA ENTREVISTA: ESTEVAM SOARES

Como não podia deixar de ser, o Passando a Bola Entrevista está de volta e desta vez conversamos com o Estevam Soares, atual técnico do Botafogo. Fomos até o Estádio do Engenhão após um treino do Fogão e o treinador, mesmo cansado depois de enfrentar as metralhadoras dos jornalistas na coletiva de imprensa, nos recebeu muito bem e concedeu a entrevista exclusiva para os amigos do PaB. Confira nos três blocos abaixo o que o novo comandante Alvinegro encontrou no glorioso e como pretende tirar o Fogão da incômoda situação que se encontra.





ANÁLISE DO BLOG: DEFEDERICO É ATACANTE E MALDONADO CAI COMO UMA LUVA.

Olá blogueiros. As duas principais torcidas do Brasil receberam boas notícias essa semana. Na última segunda-feira o argentino Matías Defederico (foto) chegou à capital paulista para fazer exames médicos e assinar com o Timão. Nesta quarta-feira, o Corinthians se acertou com o Huracán, antigo clube do atacante, e anunciou oficialmente a contratação do mais novo Hermano da fiel. No mesmo dia, a maior torcida do Brasil recebeu dois reforços importantes. O volante da Seleção chilena, Maldonado, e o zagueiro Álvaro, ex-Internacional. Os jogadores passaram nos exames médicos e assinaram por um ano com o clube da Gávea. Vamos analisar o impacto desses reforços nos atuais times.

Defederico é atacante!

O talentoso Matías Defederico chega com a missão de organizar esse time do Corinthians. Mas Defederico não é um organizador. Na verdade, o argentino não lembra em nada o antigo dono da camisa 10 (Douglas). Defederico é atacante, jogador de lado de campo. Veloz e com boa chegada na área, o argentino joga na posição dos ídolos da torcida (Dentinho e Jorge Henrique). E aí, como fica esse time do Corinthians?

Assim como o Flamengo, o Alvinegro Paulista também sofre com os inúmeros desfalques. Na partida de hoje contra o Barueri, apenas dois titulares (Elias e Jorge Henrique) da equipe que venceu a Copa do Brasil vão estar em campo. São nove desfalques, contando com os negociados. Com isso um novo time está sendo montado. Para a vaga do volante Cristian, Edu foi contratado. Mas o ex-jogador do Arsenal e do Valência está machucado. Para a vaga do lateral André Santos, a diretoria promete um reforço (Roberto Carlos estaria nos planos). Enquanto isso, Marcelo Oliveira deve ser titular no restante da temporada. Defederico chega para ocupar a camisa 10 e a vaga de armador.

Mano Menezes terá que queimar a cuca para encaixar o argentino nesse time, sem barrar Dentinho ou Jorge Henrique. Uma possibilidade é escalar o atacante Jorge Henrique na ala-esquerda (já que a posição não conta com um titular). JH jogou assim no Botafogo de 2007. O técnico Cuca segurava Luciano Almeida na zaga pela esquerda e usava Jorge Henrique como um ala-esquerdo (nas funções de ataque). Com isso, Defederico jogaria ao lado de Dentinho chegando por trás do craque Ronaldo. Acho uma boa tentativa. O Corinthians ficaria assim:

(4-3-3)Felipe, Alessandro (Balbuena), Chicão, Willam e Jorge Henrique; Marcelo Mattos, Edu e Elias; Defederico, Ronaldo e Dentinho.


Reforços chegam para jogar:


O técnico Andrade vai perder mais tempo agradecendo a Deus, do que pensando em como escalar os reforços. Com a séria contusão do volante Kleberson (não joga mais esse ano) Maldonado entra direto na vaga do pentacampeão. Na zaga, Álvaro chega para ajudar Ronaldo Angelim. O Flamengo pode poupar os garotos e escalar uma defesa mais encorpada e com rodagem. Acredito que o Flamengo ganha com essas contratações.


Agora o que vai ser analisado é o estado físico e técnico dos atletas. Vamos aguardar. O clube deseja utilizar os dois reforços já nesse fim de semana, na partida contra o Santo André no Maracanã. Com o Álvaro não haverá problema, já que o zagueiro estava treinando no Inter de Porto Alegre. Maldonado se desligou no mês passado do Fenerbahçe da Turquia. Caso a saída do Sheik se confirme, Vagner Love seria uma ótima reposição. Acho que o mais importante para o Rubro-Negro é a manutenção do atacante Emerson. O camisa 11 está totalmente adaptado ao esquema e ao elenco. Como fica o Flamengo com os dois reforços e com o retorno dos machucados e suspensos?

(3-5-2)Bruno, David, Álvaro e Ronaldo Angelim; Léo Moura, Maldonado, Willians, Petkovic e Juan (Everton); Emerson e Adriano.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Até quando?

1989. Neste ano, 96 pessoas morreram esmagadas contra as grades do estádio Hillsborough, na semifinal da Copa da Inglaterra entre Liverpool e Nottingham Forest depois que os portões foram abertos e centenas de torcedores tentaram entrar desesperadamente. Cinco anos antes, a Inglaterra havia sido suspensa das competições europeias por causa da tragédia na final da Liga dos Campeões entre Liverpool e Juventus no estádio Heysel, na Bélgica, quando 39 pessoas morreram vítimas de uma confusão começada pelos ingleses.

Citei apenas esses dois casos por serem os mais emblemáticos, mas a Inglaterra conviveu por anos com o hooliganismo, que matou centenas e feriu milhares. Depois destas "gotas d'água", o país reformou todos os seus estádio, suas leis e a cena passou a ser menos comum depois de alguns anos.

Mas nesta terça-feira, a Inglaterra voltou a ver duas torcidas se enfrentando e trasformando o estádio Upton Park em um verdadeiro campo de batalha. West Ham e Millwall são inimigos mortais há muito tempo. A distância entre eles, o primeiro está na primera divisão e o segundo na terceira, evita os confrontos, mas quando o sorteio da Copa da Liga coloca os dois rivais frente à frente, todos já esperam por um tumulto.

Mas quando todos achavam que o hooliganismo, por mais que ainda exista, havia diminuido o suficiente para não vermos mais as cenas de barbárie que inocentes torcedores (sim, esses são torcedores) tiveram que presenciar em Londres, ninguém poderia imaginar que ainda houvesse espaço para invasão de campo em massa e centenas de hooligans sendo retirados por mais de 220 policiais do gramado, muitos deles a cavalo. A batalha se estendeu para fora do estádio e durou mais de quatro horas entre confrontos com a polícias e entre as gangues rivais. Um homem foi esfaqueado e muitos outros ficaram feridos.

Não pretendo achar uma explicação para as loucuras do ser humano ou parecer espantado como o homem ainda consegue produzir esse tipo de cenário. Infelizmente estamos longe de transformar esses fanáticos em seres normais. Mas não posso deixar passar a oportunidade de expressar minha profunda tristeza com eventos deste tipo. O filme Hooligan mostra um pouco do que representa essa rivalidade entre os dois times, e prova que transcende as fronteiras do campo de futebol, mas mesmo assim ainda não consigo entender como as próprias autoridades inglesas não esperavam mais esse tipo de atitude.

Ah, sim, o West Ham venceu o Millwall de virada, na prorrogação, e se classificou para a terceira fase da Copa da Liga inglesa. Mas que se dane o resultado. Por mim, bania os dois times do futebol profissional por pelo menos uns dois anos e proíbia torcida nos jogos entre os dois times por mais uns 20 anos. Mas isso não vai acontecer e é uma questão de tempo para a cena se repetir em algum lugar do mundo.

Esse é o problema da Série B

O Vasco enfrentou o Brasiliense nesta terça-feira, fez 1 a 0 com um gol de falta de Ramón e conseguiu os três pontos necessários para o manter na liderança da Série B. Apesar do discurso do time carioca alertando para a difilculdade de enfrentar os amarelos, não foi o que se viu na Boca do Jacaré. Não pelo time da casa.

O Vasco, claramente superior, poderia ter feito mais, mas o péssimo estado do gramado dificultava as ações do time, que botava a bola no chão mas era driblado pelos montinhos espalhados pelo campo. As dimensões imensas ajudavam o Gigante da Colina, que usava muito bem os seus jogadores mais velozes, mas, quanto mais espaço, mais campo ruim para estragar o jogo.

Um lance nos minutos finais da partida mostrou bem o que eu digo. Alex Teixeira deu dois dribles sensacionais na entrada da área, mas quando entrou livre na cara do goleiro acabou traído por um buraco que prendeu a bola. Minutos antes, um lindo passe de letra de Rodrigo Pimpão, que entrou no lugar do lesionado Carlos Alberto depois de mais de dois meses parado, terminou em um chute longe do mesmo Alex Teixeira que, mais uma vez, foi atrapalhado pelo gramado. Isso sem contar na furada bisonha de Gian dentro da própria área, mas que fique claro que mais uma vez por culpa do péssimo gramado, além de muitos outros lances.

Em resumo, como é chato ver um time que se propõe a jogar bonito e de forma ofensiva, ser atrapalhado por um campo mal conservado. Mas, infelizmente, essa é a realidade da Série B, o ônus que se paga pelo rebaixamento. Interessante ver o Aloísio começar jogando e bem, não tanto pela forma física, longe da ideal, mas pelo futebol apresentado e boa participação no ataque. Saiu dando um susto na torcida após uma cabeçada, mas ainda bem que nada de mais sério aconteceu.

EMPEZÓ TODO

Neste final de semana teve início o Torneio Apertura da temporada 2009/2010. A bola rolou com sete dias de atraso porque os jogadores cobravam dos clubes o que lhes era de direito: dinheiro de salários e premiações. Com tudo resolvido e a grana no bolso eles foram a campo dar o seu espetáculo. Vamos a alguns destaques.

Jogando no Cementério de los Elefantes, em Santa Fé, o campeão do último torneio, Vélez Sarsfield mostrou que continua forte e venceu o Colón por 1 a 0. Rolando Zárate(foto) entrou no intervalo e marcou o gol da vitória no segundo tempo.

Em Parque Patrício, o Huracán provou que está órfão de Defederico, Toranzo e Pastore. O time de Angel Cappa foi derrotado pelo consistente Lanús por 2 a 1. Apenas Bolatti, o único do quadrado mágico do Apertura, ficou no time. E lutou como um Dom Quixote contra os moinhos de vento. Sem solução. Já o Granate, mostrou em campo porque foi a equipe com maior pontuação na temporada passada. O paraguaio Santiago Salcedo marcou os dois gols e substituiu a altura o negociado José Sand, artilheiro dos dois últimos torneios.

Na Bombonera, o Boca Juniors levou um susto no primeiro tempo. O Argentinos Juniors fechou a etapa inicial vencendo por 2 a 0. No segundo tempo as coisas mudaram com a entrada de Guillermo Marino. O jogador que voltou ao clube após um período de empréstimo ao Tigres, do México, entrou e marcou duas vezes. Se converteu no novo herói xeneize. Riquelme não jogou, pois cumpriu suspensão pela expulsão na última rodada do torneio passado, e Palermo esteve muito mal em campo.

Em Banfield, o Millonário passou maus bocados, como vem sendo rotina. Mais uma vez apresentando um futebol sofrível, o River Plate foi facilmente batido pelo Banfield por 2 a 0. Em duas partidas oficiais, o time de Núñez perdeu ambas (2 a 1 para o Lanús na Sul-Americana, e agora para o Taladro no Apertura). E as coisas podem ficar pior. O atacante Augusto Fernández foi negociado com o Saint-Etiénne, da França. O zagueiro Mateo Musacchio, de apenas 19 anos, vai para o Villarreal, da Espanha, e o empresário do meia Buonanotte procura um clube para seu cliente na Europa. Reforços? Nem sinal. Gorosito vai ter muito trabalho e a torcida do River se prepara para mais um torneio dos pesadelos.

Demais resultados: Gimnasia 0 x 2 Godoy Cruz; Independiente 0 x 1 Newell’s; San Lorenzo 3 x 1 Atlético Tucumán; Chacarita 1 x 2 Tigre; Arsenal 0 x 2 Estudiantes; Rosário Central 1 x 0 Racing.



Fútbol K


Os argentinos estão vivendo uma overdose futebolística pela TV. Neste final de semana, todos os jogos da rodada foram transmitidos pelo Canal 7, de sinal aberto e de propriedade do governo. Após uma derrota esmagadora nas urnas, o casal Kirchner resolveu recuperar a sua popularidade com a velha estratégia do “pão e circo”. Compraram por 600 milhões de pesos (300 milhões de reais), os direitos de transmissão do campeonato e o entregaram à TV pública. Dinheiro que poderia ser investido em outras áreas sociais gastos com futebol.

Até o último torneio, para assistir ao futebol na TV os argentinos necessariamente tinham que ter o sistema de canais pagos, sendo que alguns jogos eram transmitidos apenas no pay-per-view. Agora não existe mais o sistema e os canais de TV por assinatura não podem transmitir jogo algum. Tudo agora pertence ao Estado e o slogan não poderia ser mais populista: “Futebol para todos”.

A maratona de jogos começa na sexta com um jogo às 19h e outro às 21h. E segue no fim de semana, com 4 partidas no sábado e no domingo. A primeira começando às 14h e a última às 20h.

Por Raphael Martins