Acordei cedo nesta segunda para ver a Holanda esperando uma grande exibição, mas me decepcionei um pouco. O time laranja não jogou bem, muito preso em suas posições, diferente da equipe de bastante movimentação que vimos nos amistosos pré-Copa. Claro que foi só o primeiro jogo, há aquela dificuldade a mais da estreia, Robben não jogou - e ele faz a diferença -, o adversário se preocupou somente em se defender, mas poderia ter sido melhor. Senti uma certa preguiça e alguma auto-suficiência, aquela velha história de achar que pode ganhar a qualquer. Diante da frágil Dinamarca isso funciona, mas contra uma seleção mais perigosa pode haver problemas com essa postura. O importante, porém, foi a vitória, sem correr riscos.O esquema holandês é idêntico ao da Alemanha. O técnico Bert
Van Marwijk escala sua equipe num 4-2-3-1, com dois volantes mais presos (De Jong e Van Bommel) e um quarteto de ataque, que costuma se movimentar bastante, sem guardar posição. Kuyt atua aberto pela direita, Sneijder pelo meio e Van der Vaart pela esquerda, com Van Persie mais a frente. Na próxima partida, contra o Japão, Robben deve estar recuperado e entrará na vaga de Van der Vaart, o que vai aumentar a velocidade na armação de jogadas, especialmente porque o jogador do Bayern de Munique é um autêntico ponta, diferentemente do seu substituto, que tem estilo mais cadenciado.
Diante da Dinamarca, essa cadência, não só de Van der Vaart, mas de todo o time holandês irritou, principalmente na primeira etapa. A falta de mobilidade fez com que os escandinavos conseguissem anular as peças ofensivas da Holanda com certa facilidade e até chegar ao ataque em algumas oportunidades, fazendo o goleiro Stekelenburg trabalhar. Depois do intervalo, os holandeses conseguiram um gol logo aos 30 segundos (contra, de Poulsen) e isso obrigou o adversário a sair mais para o jogo, deixando mais espaços na defesa. Van Marwijk percebeu isso e fez alterações que melhoraram o desempenho da equipe. Elia entrou no lugar de Van der Vaart e Afellay substituiu Van Persie. O segundo foi atuar no lado direito, enquanto Kuyt, que caía por ali, foi deslocado para o comando do ataque. E foi dele o segundo gol, pegando o rebote da trave em chute de Elia, depois de belo passe de Sneijder. Essa, aliás, foi a única jogada mais trabalhada criada pela Holanda na partida.De qualquer maneira, o resultado confirma o amplo favoritismo holandês nesse grupo E. Acredito que o time vença os dois jogos que restam, passando em primeiro lugar. Já a Dinamarca é fraca e seu principal jogador, Bendtner, atuou no sacrifício, além de ter tido o desfalque do Tomasson, o que complicou ainda mais. Mas pode ficar com a segunda vaga porque os outros adversários da chave são tão frágeis quanto.
O jogo entre Camarões e Japão foi uma pelada, um dos piores até agora. Já sabi
a que o time asiático era limitado, mas me surpreendeu o péssimo futebol apresentado pelos camaroneses. Esperava bem mais da seleção de Paul Le Guen, ainda mais atuando no continente africano. Mas o que vi em campo foi um time completamente desorganizado, errando muitos passes e sem criar jogadas. Quando tinham a bola, os Leões Indomáveis simplesmente davam chutão pra frente tentando arrumar alguma coisa, mas como os japoneses são muito disciplinados taticamente, a marcação foi facilitada.Outra coisa que me chamou a atenção foi o posicionamento de Samuel Eto'o. Não consegui entender a opção treinador em escalá-lo aberto na direita, com obrigação de voltar para buscar o jogo. Por vezes o atacante da Inter de Milão foi meia. Se existisse outro jogador de qualidade na frente, tudo bem, mas não é o caso. Os companheiros de Eto'o no trio ofensivo (Webo e Choupo-Moting) são fracos e o óbvio seria que o craque do time jogasse perto da área, pois trata-se de um excelente finalizador. Mas estranhamente Le Guen não concorda comigo. Outra escolha que me surpreendeu foi a não escalação de Alexandre Song, volante do Arsenal. Em um meio campo acéfalo como foi o de Camarões, com certeza a qualidade do passe de Song poderia ajudar. Agora a classificação para os camaroneses dependerá de um milagre, pois o time terá que vencer Dinamarca e Holanda. O primeiro é até possível, mas duvido que diante do time holandês os africanos tenham alguma chance.
Já o Japão conseguiu a vitória de maneira casual. Foi a campo claramente para não perder, com apenas um atacante e todos os jogadores atrás da linha da bola, tentando aproveitar alguma oportunidade isolada. E foi exatamante o que aconteceu. Em um cruzamento pra área, a zaga adversária falhou e Honda, o melhorzinho da equipe, completou pro gol. Muito pouco para um time que pretende se classificar. A disputa pela segunda vaga deve ficar com a Dinamarca, com favoritismo europeu. 





Maradona, porém, ainda tem o que ajeitar. Não gostei de Jonas Gutierrez na lateral-direita. Houve espaços por ali e a Nigéria, nas poucas vezes que chegou com organização ao ataque, explorou as costas do meia improvisado. Diante de uma seleção mais forte (ou até mais rápida, como a Coreia do Sul) é provável que Don Diego opte por Nicolas Burdisso, substituição que, aliás, fez na partida de sábado. Também não gostei da participação do Veron, muito apagado. Maxi Rodriguez daria mais velocidade na saída de bola. Di Maria não foi o jogador incisivo que costuma ser e Higuain errou tudo que tentou. Mas nestes não mexeria.









