quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ANÁLISE DO BLOG: DEFEDERICO É ATACANTE E MALDONADO CAI COMO UMA LUVA.

Olá blogueiros. As duas principais torcidas do Brasil receberam boas notícias essa semana. Na última segunda-feira o argentino Matías Defederico (foto) chegou à capital paulista para fazer exames médicos e assinar com o Timão. Nesta quarta-feira, o Corinthians se acertou com o Huracán, antigo clube do atacante, e anunciou oficialmente a contratação do mais novo Hermano da fiel. No mesmo dia, a maior torcida do Brasil recebeu dois reforços importantes. O volante da Seleção chilena, Maldonado, e o zagueiro Álvaro, ex-Internacional. Os jogadores passaram nos exames médicos e assinaram por um ano com o clube da Gávea. Vamos analisar o impacto desses reforços nos atuais times.

Defederico é atacante!

O talentoso Matías Defederico chega com a missão de organizar esse time do Corinthians. Mas Defederico não é um organizador. Na verdade, o argentino não lembra em nada o antigo dono da camisa 10 (Douglas). Defederico é atacante, jogador de lado de campo. Veloz e com boa chegada na área, o argentino joga na posição dos ídolos da torcida (Dentinho e Jorge Henrique). E aí, como fica esse time do Corinthians?

Assim como o Flamengo, o Alvinegro Paulista também sofre com os inúmeros desfalques. Na partida de hoje contra o Barueri, apenas dois titulares (Elias e Jorge Henrique) da equipe que venceu a Copa do Brasil vão estar em campo. São nove desfalques, contando com os negociados. Com isso um novo time está sendo montado. Para a vaga do volante Cristian, Edu foi contratado. Mas o ex-jogador do Arsenal e do Valência está machucado. Para a vaga do lateral André Santos, a diretoria promete um reforço (Roberto Carlos estaria nos planos). Enquanto isso, Marcelo Oliveira deve ser titular no restante da temporada. Defederico chega para ocupar a camisa 10 e a vaga de armador.

Mano Menezes terá que queimar a cuca para encaixar o argentino nesse time, sem barrar Dentinho ou Jorge Henrique. Uma possibilidade é escalar o atacante Jorge Henrique na ala-esquerda (já que a posição não conta com um titular). JH jogou assim no Botafogo de 2007. O técnico Cuca segurava Luciano Almeida na zaga pela esquerda e usava Jorge Henrique como um ala-esquerdo (nas funções de ataque). Com isso, Defederico jogaria ao lado de Dentinho chegando por trás do craque Ronaldo. Acho uma boa tentativa. O Corinthians ficaria assim:

(4-3-3)Felipe, Alessandro (Balbuena), Chicão, Willam e Jorge Henrique; Marcelo Mattos, Edu e Elias; Defederico, Ronaldo e Dentinho.


Reforços chegam para jogar:


O técnico Andrade vai perder mais tempo agradecendo a Deus, do que pensando em como escalar os reforços. Com a séria contusão do volante Kleberson (não joga mais esse ano) Maldonado entra direto na vaga do pentacampeão. Na zaga, Álvaro chega para ajudar Ronaldo Angelim. O Flamengo pode poupar os garotos e escalar uma defesa mais encorpada e com rodagem. Acredito que o Flamengo ganha com essas contratações.


Agora o que vai ser analisado é o estado físico e técnico dos atletas. Vamos aguardar. O clube deseja utilizar os dois reforços já nesse fim de semana, na partida contra o Santo André no Maracanã. Com o Álvaro não haverá problema, já que o zagueiro estava treinando no Inter de Porto Alegre. Maldonado se desligou no mês passado do Fenerbahçe da Turquia. Caso a saída do Sheik se confirme, Vagner Love seria uma ótima reposição. Acho que o mais importante para o Rubro-Negro é a manutenção do atacante Emerson. O camisa 11 está totalmente adaptado ao esquema e ao elenco. Como fica o Flamengo com os dois reforços e com o retorno dos machucados e suspensos?

(3-5-2)Bruno, David, Álvaro e Ronaldo Angelim; Léo Moura, Maldonado, Willians, Petkovic e Juan (Everton); Emerson e Adriano.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Até quando?

1989. Neste ano, 96 pessoas morreram esmagadas contra as grades do estádio Hillsborough, na semifinal da Copa da Inglaterra entre Liverpool e Nottingham Forest depois que os portões foram abertos e centenas de torcedores tentaram entrar desesperadamente. Cinco anos antes, a Inglaterra havia sido suspensa das competições europeias por causa da tragédia na final da Liga dos Campeões entre Liverpool e Juventus no estádio Heysel, na Bélgica, quando 39 pessoas morreram vítimas de uma confusão começada pelos ingleses.

Citei apenas esses dois casos por serem os mais emblemáticos, mas a Inglaterra conviveu por anos com o hooliganismo, que matou centenas e feriu milhares. Depois destas "gotas d'água", o país reformou todos os seus estádio, suas leis e a cena passou a ser menos comum depois de alguns anos.

Mas nesta terça-feira, a Inglaterra voltou a ver duas torcidas se enfrentando e trasformando o estádio Upton Park em um verdadeiro campo de batalha. West Ham e Millwall são inimigos mortais há muito tempo. A distância entre eles, o primeiro está na primera divisão e o segundo na terceira, evita os confrontos, mas quando o sorteio da Copa da Liga coloca os dois rivais frente à frente, todos já esperam por um tumulto.

Mas quando todos achavam que o hooliganismo, por mais que ainda exista, havia diminuido o suficiente para não vermos mais as cenas de barbárie que inocentes torcedores (sim, esses são torcedores) tiveram que presenciar em Londres, ninguém poderia imaginar que ainda houvesse espaço para invasão de campo em massa e centenas de hooligans sendo retirados por mais de 220 policiais do gramado, muitos deles a cavalo. A batalha se estendeu para fora do estádio e durou mais de quatro horas entre confrontos com a polícias e entre as gangues rivais. Um homem foi esfaqueado e muitos outros ficaram feridos.

Não pretendo achar uma explicação para as loucuras do ser humano ou parecer espantado como o homem ainda consegue produzir esse tipo de cenário. Infelizmente estamos longe de transformar esses fanáticos em seres normais. Mas não posso deixar passar a oportunidade de expressar minha profunda tristeza com eventos deste tipo. O filme Hooligan mostra um pouco do que representa essa rivalidade entre os dois times, e prova que transcende as fronteiras do campo de futebol, mas mesmo assim ainda não consigo entender como as próprias autoridades inglesas não esperavam mais esse tipo de atitude.

Ah, sim, o West Ham venceu o Millwall de virada, na prorrogação, e se classificou para a terceira fase da Copa da Liga inglesa. Mas que se dane o resultado. Por mim, bania os dois times do futebol profissional por pelo menos uns dois anos e proíbia torcida nos jogos entre os dois times por mais uns 20 anos. Mas isso não vai acontecer e é uma questão de tempo para a cena se repetir em algum lugar do mundo.

Esse é o problema da Série B

O Vasco enfrentou o Brasiliense nesta terça-feira, fez 1 a 0 com um gol de falta de Ramón e conseguiu os três pontos necessários para o manter na liderança da Série B. Apesar do discurso do time carioca alertando para a difilculdade de enfrentar os amarelos, não foi o que se viu na Boca do Jacaré. Não pelo time da casa.

O Vasco, claramente superior, poderia ter feito mais, mas o péssimo estado do gramado dificultava as ações do time, que botava a bola no chão mas era driblado pelos montinhos espalhados pelo campo. As dimensões imensas ajudavam o Gigante da Colina, que usava muito bem os seus jogadores mais velozes, mas, quanto mais espaço, mais campo ruim para estragar o jogo.

Um lance nos minutos finais da partida mostrou bem o que eu digo. Alex Teixeira deu dois dribles sensacionais na entrada da área, mas quando entrou livre na cara do goleiro acabou traído por um buraco que prendeu a bola. Minutos antes, um lindo passe de letra de Rodrigo Pimpão, que entrou no lugar do lesionado Carlos Alberto depois de mais de dois meses parado, terminou em um chute longe do mesmo Alex Teixeira que, mais uma vez, foi atrapalhado pelo gramado. Isso sem contar na furada bisonha de Gian dentro da própria área, mas que fique claro que mais uma vez por culpa do péssimo gramado, além de muitos outros lances.

Em resumo, como é chato ver um time que se propõe a jogar bonito e de forma ofensiva, ser atrapalhado por um campo mal conservado. Mas, infelizmente, essa é a realidade da Série B, o ônus que se paga pelo rebaixamento. Interessante ver o Aloísio começar jogando e bem, não tanto pela forma física, longe da ideal, mas pelo futebol apresentado e boa participação no ataque. Saiu dando um susto na torcida após uma cabeçada, mas ainda bem que nada de mais sério aconteceu.

EMPEZÓ TODO

Neste final de semana teve início o Torneio Apertura da temporada 2009/2010. A bola rolou com sete dias de atraso porque os jogadores cobravam dos clubes o que lhes era de direito: dinheiro de salários e premiações. Com tudo resolvido e a grana no bolso eles foram a campo dar o seu espetáculo. Vamos a alguns destaques.

Jogando no Cementério de los Elefantes, em Santa Fé, o campeão do último torneio, Vélez Sarsfield mostrou que continua forte e venceu o Colón por 1 a 0. Rolando Zárate(foto) entrou no intervalo e marcou o gol da vitória no segundo tempo.

Em Parque Patrício, o Huracán provou que está órfão de Defederico, Toranzo e Pastore. O time de Angel Cappa foi derrotado pelo consistente Lanús por 2 a 1. Apenas Bolatti, o único do quadrado mágico do Apertura, ficou no time. E lutou como um Dom Quixote contra os moinhos de vento. Sem solução. Já o Granate, mostrou em campo porque foi a equipe com maior pontuação na temporada passada. O paraguaio Santiago Salcedo marcou os dois gols e substituiu a altura o negociado José Sand, artilheiro dos dois últimos torneios.

Na Bombonera, o Boca Juniors levou um susto no primeiro tempo. O Argentinos Juniors fechou a etapa inicial vencendo por 2 a 0. No segundo tempo as coisas mudaram com a entrada de Guillermo Marino. O jogador que voltou ao clube após um período de empréstimo ao Tigres, do México, entrou e marcou duas vezes. Se converteu no novo herói xeneize. Riquelme não jogou, pois cumpriu suspensão pela expulsão na última rodada do torneio passado, e Palermo esteve muito mal em campo.

Em Banfield, o Millonário passou maus bocados, como vem sendo rotina. Mais uma vez apresentando um futebol sofrível, o River Plate foi facilmente batido pelo Banfield por 2 a 0. Em duas partidas oficiais, o time de Núñez perdeu ambas (2 a 1 para o Lanús na Sul-Americana, e agora para o Taladro no Apertura). E as coisas podem ficar pior. O atacante Augusto Fernández foi negociado com o Saint-Etiénne, da França. O zagueiro Mateo Musacchio, de apenas 19 anos, vai para o Villarreal, da Espanha, e o empresário do meia Buonanotte procura um clube para seu cliente na Europa. Reforços? Nem sinal. Gorosito vai ter muito trabalho e a torcida do River se prepara para mais um torneio dos pesadelos.

Demais resultados: Gimnasia 0 x 2 Godoy Cruz; Independiente 0 x 1 Newell’s; San Lorenzo 3 x 1 Atlético Tucumán; Chacarita 1 x 2 Tigre; Arsenal 0 x 2 Estudiantes; Rosário Central 1 x 0 Racing.



Fútbol K


Os argentinos estão vivendo uma overdose futebolística pela TV. Neste final de semana, todos os jogos da rodada foram transmitidos pelo Canal 7, de sinal aberto e de propriedade do governo. Após uma derrota esmagadora nas urnas, o casal Kirchner resolveu recuperar a sua popularidade com a velha estratégia do “pão e circo”. Compraram por 600 milhões de pesos (300 milhões de reais), os direitos de transmissão do campeonato e o entregaram à TV pública. Dinheiro que poderia ser investido em outras áreas sociais gastos com futebol.

Até o último torneio, para assistir ao futebol na TV os argentinos necessariamente tinham que ter o sistema de canais pagos, sendo que alguns jogos eram transmitidos apenas no pay-per-view. Agora não existe mais o sistema e os canais de TV por assinatura não podem transmitir jogo algum. Tudo agora pertence ao Estado e o slogan não poderia ser mais populista: “Futebol para todos”.

A maratona de jogos começa na sexta com um jogo às 19h e outro às 21h. E segue no fim de semana, com 4 partidas no sábado e no domingo. A primeira começando às 14h e a última às 20h.

Por Raphael Martins

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

PASSANDO A BOLA - MESA REDONDA

Amigos do Passando a Bola, está no ar mais uma Mesa Redonda, seu encontro com a informação e a opinião. Neste programa falaremos bastante da 21ª rodada do Brasileirão, vamos fazer uma análise da crise que vive o futebol carioca, escolheremos o gol mais bonito, o craque do final de semana e daremos, é claro, nosso toque final. Aproveitem!


Neste primeiro bloco, os destaques da 21ª rodada do Brasileirão:



Neste segundo bloco,uma análise sobre a crise do futebol carioca:



Neste último bloco, vamos falar do Vasco e tem a escolha do gol mais bonito, do craque da rodada e nosso toque final:


Rapidinhas de Domingo - Grêmio, o time dos extremos

O Grêmio segue sua rotina irregular no Campeonato Brasileiro, sempre intercalando vitórias com derrotas. Este final de semana foi de vitória - 4 a 1 sobre o Atlético-MG -, aliás, como tem sido os finais de semana em que o Tricolor Gaúcho atua no Olímpico. É impressionante a campanha de extremos gremista. O time tem disparado o melhor aproveitamento em casa (9 vitórias, 2 empates e nenhuma derrota, o que dá 88% dos pontos disputados), mas também é o pior visitante, ao lado do vice-lanterna Sport, dentre os 20 clubes da Série A (nenhuma vitória, 2 empates e 8 derrotas, o que dá 6,6% de aproveitamento). Como o Grêmio está na 9ª posição, com 31 pontos, a apenas 3 do G-4, fica fácil perceber que se a equipe de Paulo Autuori fosse somente um pouquinho mais eficiente longe de seus domínios, estaria brigando ( e bem) pelo título brasileiro. Óbvio que ainda dá tempo e o Tricolor tem elenco para isso. Mas esse desempenho fora de casa precisa ser, urgentemente, melhorado. Vai depender da torcida assim lá em Porto Alegre!

O Galo, como nós do Passando a Bola já tínhamos previsto, está caindo pelas tabelas. Foi o quarto jogo sem vencer e o time, que liderou por boa parte do primeiro turno, caiu para a sexta colocação. Decepcionante pelo ótimo começo de campeonato do Atlético, mas se formos analisar friamente, essa equipe não tem força para brigar pelas primeiras posições. O pior é que Celso Roth que leva a fama de que seus trabalhos têm prazo de validade. Também, com os elencos que ele pega, fica difícil seguir na ponta até o final. Ano passado ele bem que conseguiu, com o próprio Grêmio, mas esse ano...

- Já o rival do Galo ensaia uma arrancada. O Cruzeiro venceu a segunda consecutiva (4 a 2 sobre o Náutico) e chegou a 12ª colocação, com 27 pontos. Como tem um jogo a menos - nesta quinta, diante do Botafogo, no Rio - pode alcançar os 30 pontos, caso vença, e aí entra de vez na briga pela Libertadores. Elenco Adílson Batista tem. E como parece que conseguiu reestabelecer o foco dos jogadores, eu acho que dá para chegar sim. Guerrón teve boa estreia, inclusive com assistência, mas os grandes nomes do jogo foram Wellington Paulista, autor de 3 gols, e Fabrício, que marcou um golaço, com uma bomba de fora da área. Olho nos mineiros! O Náutico perdeu a chance de terminar a rodada fora da zona de rebaixamento, mas a derrota no Mineirão é um resultado normal, tamanha a diferença entre as equipes. O Timbu, como venho falando há bastante tempo, vai brigar somente para permanecer na Série A. E se acontecer, será lucro.

- Quem vai ficar muito no lucro se conseguir permanecer na Primeira Divisão é o Fluminense. O Tricolor, mais uma vez, não venceu. Empatou em 0 a 0, no Maracanã, contra o Barueri e teve sorte de não ter sido derrotado novamente. O próprio Renato Gaúcho afirmou depois do jogo que devia dar graças a Deus por ter conquistado um ponto, tamanha a superioridade do time paulista no jogo. O técnico, aliás, está no comando da equipe há 9 jogos e venceu apenas uma vez e, segundo boatos, sua demissão já é cogitada nas Laranjeiras. O Flu agora é o lanterna do Brasileirão, com 16 pontos, pontuação menor do que o Ipatinga (17 pontos), lanterna de 2008 após a 21ª rodada; tem o menor número de vitórias da competição (3), o pior ataque (21 gols), o pior desempenho como mandante, ao lado do Santo André, (39%) e o segundo pior como visitante (10%). Para completar, o aproveitamento é o pior da história do clube em Campeonatos Brasileiros (25%). Nem nos anos em que foi rebaixado a campanha foi tão ruim. Em 1996, ano da virada de mesa, o Flu teve 31,88% e em 1997, quando caiu para a Série B, 29,33%. E quem sofre é a torcida tricolor.

- Corinthians e Botafogo fizeram um bom jogo no Pacaembu, com o Timão sempre na frente no placar e o Alvinegro carioca indo buscar o empate. O resultado de 3 a 3 foi justo para um dos jogos mais legais do campeonato. Mas o grande nome (negativo) da partida foi o árbitro Arilson Bispo da Anunciação. Como errou!!! Merece uma geladeira daquelas de cozinha de navio da Comissão de Arbitragem. Só para citar os erros capitais, validou gol de mão claro de André Lima e inventou penalti totalmente inexistente em cima de Jorge Henrique. Uma vergonha e uma pena. O Corinthians perdeu a chance de entrar no G-4 e o Botafogo a oportunidade de deixar a zona da degola.

- O São Paulo finalmente perdeu, para alívio dos adversários. O tricampeão foi derrotado pelo Atlético-PR, na Arena da Baixada, por 1 a 0, gol de Paulo Baier, e teve sua sequência de 7 vitórias e 9 partidas de invencibilidade quebrada. O Tricolor, porém, ainda está na 3ª posição, com 36 pontos e domingo faz um clássico diante do líder Palmeiras, que tem tudo para ser um dos melhores jogos - senão o melhor - do Brasileirão. Já o Furacão venceu a quinta partida nas últimas seis rodadas e abriu seis pontos para a zona de rebaixamento. Belo trabalho de Antônio Lopes!

Avaí segue imbatível e entra no G-4

Antes de a bola rolar na Ressacada já era possível prever o resultado final quase que com absoluta certeza. Afinal, o Avaí estava há 10 jogos sem perder, atuava em casa (onde tinha vencido os últimos 4 jogos) diante de um Flamengo completamente desfigurado, com nove desfalques, e cheio de garotos. Pois bem, como esperado, os catarinenses não deram a menor chance ao Rubro-Negro e aplicaram 3 a 0 com a maior facilidade. São, mais do que nunca, a sensação do Brasileiro. Aumentaram sua sequência invicta para 11 partidas (recorde no campeonato, 8 vitórias e 3 empates), chegaram aos 34 pontos e entraram pela primeira vez no G-4, na 4ª colocação. Incrível se pensarmos que antes de desandarem a ganhar, os avaianos estavam na lanterna da competição e todos - inclusive eu - apontavam a equipe como uma das rebaixadas. O técnico Silas esteve para ser demitido, mas foi mantido e o resultado está aí. Palmas para a diretoria, que enxergou que o problema não estava no comando do time e sim na mudança de postura.

Olhando nome por nome, o Avaí tem uma equipe na média das outras. Bons jogadores, no máximo, muitos deles com passagens apagadas por clubes grandes. Mas a equipe é muito bem arrumada. O goleiro, Eduardo Martini, é muito bom e a defesa, com 3 zagueiros, segura, tanto é que é a 3ª melhor do Brasileirão, com 24 gols sofridos, ao lado de Inter e Grêmio. Os alas (Luis Ricardo e Eltinho) apoiam bastante ao ataque. O primeiro, inclusive, é atacante de origem, revelado pela Ponte Preta, e foi improvisado por Silas na posição. No meio-campo Léo Gago é um bom volante e Marquinhos ótimo meia e líder da equipe. No ataque - o 5º mais positivo com 33 gols, ao lado de Inter, Palmeiras e Santos - Muriqui tem muita habilidade, velocidade e faz boas jogadas para o centroavante William. Nenhuma novidade tática, mas tudo bem feito, organizado. Esta é a fórmula do sucesso.

Silas mantém o discurso humilde, de que o Avaí ainda briga para não cair. Muitos dizem que é pensar pequeno. Mas ele está mais do que certo. Quer tirar o foco da atenção do seu time, quer trabalhar quieto, comendo pelas beiradas, do jeito que ocorreu até agora. Para quê botar pressão em cima de seus jogadores e encher a torcida de esperança? Para falar a verdade, eu mesmo não acredito que este "encanto" vá durar até o final do campeonato, mas o time catarinense, com esta pegada, pode até brigar por vaga na Libertadores. Senão, uma Sul-Americana deve vir. O que, para quem era lanterna e candidato sério ao descenso, já será um tremendo lucro.

O Flamengo, por sua vez, precisa abrir o olho. Está na 14ª posição, estacionado nos 27 pontos, e perdeu a terceira seguida. Nas últimas seis rodadas foi apenas uma vitória. Tem a terceira pior defesa, com 36 gols sofridos. Está certo que há muitos desfalques, que todo jogo surge um novo problema (neste Everton Silva saiu machucado e Willians foi expulso), que Andrade está tendo que apelar para os garotos da base, mas quem está atrás na tabela não quer nem saber e a distância para a zona de rebaixamento é cada vez menor. Não custa lembrar que, ano passado, o Figueirense, um dos rebaixados, tinha 28 pontos após a 21ª rodada. Ou seja, é preciso providências urgentes na Gávea, senão o final de ano promete ser dos piores.

A próxima rodada é fundamental para o Rubro-Negro. Recebe o Santo André, no Maracanã, time que está uma posição abaixo na tabela e uma derrota fará o time do ABC passar a frente. Antes, porém, o Flamengo faz clássico esvaziado contra o Fluminense, no jogo de volta da primeira fase da Sul-Americana. O jogo de ida foi 0 a 0. O Maraca estará às moscas, mas esta é a única chance de ambas as equipes terminarem 2009 com um título e que, apesar dos pesares, é internacional.