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terça-feira, 27 de julho de 2010

As primeiras escolhas de Mano

Ontem teve início, oficialmente, a Era Mano Menezes na Seleção Brasileira. E a promessa de uma renovação já na primeira convocação foi cumprida. Foram 24 atletas chamados (Hernanes ou Sandro será cortado, dependendo de quem for o finalista da Libertadores, São Paulo ou Inter), sendo que apenas 4 disputaram a Copa do Mundo da África do Sul: Robinho, Daniel Alves, Thiago Silva e Ramires. Por outro lado, 10 jogadores terão sua primeira chance na Seleção.

Abaixo vou dizer, posição por posição, o que achei das escolhas de Mano, mas já adianto que, salvo alguns nomes, gostei da convocação. É preciso deixar claro que alguns "medalhões" que estiveram na África não tiveram seu ciclo na Seleção encerrado, apenas não foram chamados agora por estarem voltando de férias, casos de Julio César, Maicon e Kaká, por exemplo.

Goleiros: Victor (Grêmio), Jefferson (Botafogo) e Renan (Avaí)

Em relação ao gol, não tenho ressalvas. A escolha por Victor era natural, aliás, o gremista deveria ter feito parte do grupo que foi à Copa. Não foi, mas agora, com novo treinador, Victor deve assumir a posição de reserva de Julio Cesar com méritos.

Jefferson foi considerado por muitos uma surpresa, vi vários jornalistas criticando a escolha do botafoguense, mas não concordo. O goleiro alvinegro foi o grande destaque individual do clube este ano (mais até do que Loco Abreu e Herrera) e fundamental na conquista do Estadual. Não vejo outro goleiro no Brasil em nível melhor atualmente que poderia estar no lugar de Jefferson.

Renan também foi uma grande surpresa, até porque o arqueiro tem apenas 19 anos e 12 partidas pelos profissionais do Avaí. Mas nesse pouco tempo mostrou que tem um excelente futuro pela frente. Além de alto (tem 1,92m), mostra bastante segurança debaixo das traves. Foi chamado para ganhar experiência na Seleção, já que é um nome que provavelmente estará nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Renan, no entanto, já fez história no futebol catarinense, pois é o primeiro jogador de um clube do estado a ser convocado.

Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Rafael (Manchester United), Marcelo (Real Madrid) e André Santos (Fenerbahçe-TUR)

Na lateral-direita, os dois jogadores que estiveram na Copa do Mundo devem permanecer na posição. Maicon e Daniel Alves têm idade para jogar a Copa 2014 e não tem porque mudar. Rafael foi chamado por ser uma grande promessa e por ter idade olímpica, então já pode ir pegando experiência com a Amarelinha.

No lado esquerdo a situação é diferente. Dunga inventou dois jogadores na Copa e agora a posição está aberta. Como não há unanimidade, acredito que Marcelo e André Santos sejam boas escolhas. O segundo ainda tem a vantagem de ter trabalhado com Mano Menezes no Corinthians antes de se transferir para o futebol turco.

Zagueiros: Thiago Silva (Milan), David Luiz (Benfica), Henrique (Racing Santander) e Réver (Atlético-MG)

Na zaga, Juan e Lucio, que formaram ótima dupla durante anos, devem se aposentar da Seleção pois em 2014 já terão idade avançada. Thiago Silva, pra mim um dos melhores zagueiros do mundo, é o herdeiro natural de uma das vagas. A outra ainda está aberta.

David Luiz saiu muito cedo do Brasil (jogava pelo Vitória), mas já é ídolo no Benfica, tanto que os torcedores e a imprensa portuguesa sempre questionaram a falta de oportunidades para o zagueiro. Pois bem, chegou a hora. E não poderia ter sido melhor, já que David é cotado para reforçar os principais clubes europeus, como o Real Madrid.

Henrique surgiu como grande promessa no Coritiba, jogou seis meses no Palmeiras e se transferiu para o Barcelona. Mas teve poucas oportunidades por lá. Foi emprestado para o Bayer Leverkusen da Alemanha e agora joga pelo Racing Santander. É jovem ainda e tem potencial, mas não o acompanho há algum tempo, então prefiro esperar para avaliá-lo.

Réver, pra mim, foi o melhor zagueiro do Brasileiro do ano passado. Porém, foi vendido ao Wolfsburg no começo do ano e não se firmou no futebol alemão. Foi negociado com o Atlético-MG, mas ainda não entrou em campo. Como tem 25 anos e tem qualidade, também achei uma escolha acertada.

Volantes: Sandro (Inter), Hernanes (São Paulo), Jucilei (Corinthians), Lucas (Liverpool) e Ramires (Benfica)

Na posição de volante, gostei de todos os nomes, menos o de Jucilei. Nada contra o jogador do Corinthians, mas ainda não o vi fazer nada que o credenciasse a ser convocado. O próprio Mano o deixou na reserva do Timão em várias oportunidades, então não entendi a escolha. Para o seu lugar acho que Denilson, do Arsenal, Aírton, do Benfica, ou Willians, do Flamengo, mereciam mais. Muito se falou no nome de Elias, do Corinthians, mas ele é um pouco mais ofensivo do que Jucilei. Tem, no entanto, bola para jogar na Seleção no futuro.

Meias: Carlos Eduardo (Hoffenheim-ALE), Paulo Henrique Ganso (Santos) e Éderson (Lyon)

Também não tenho muitas ressalvas em relação a esses três jogadores. Carlos Eduardo já teve algumas chances com Dunga e é um bom jogador. Vamos ver se ele consegue se firmar na Seleção. Ganso era barbada, todos sabiam que o santista seria convocado e ele é a grande esperança de criatividade no meio-campo, ainda mais que parece que cada vez menos poderemos contar com Kaká.

A surpresa ficou por conta de Éderson, revelado pelo RS Futebol (do Rio Grande do Sul), mas que teve sua carreira contruída na França, primeiro no Nice e mais recentemente no Lyon. Como trata-se de alguém com 24 anos, jovem, acho justo dar uma oportunidade ao jogador, até porque não temos ninguém na posição que esteja merecendo chance. Não é, porém, um meia que me entusiasme.

Atacantes: André (Santos), Neymar (Santos), Robinho (Santos), Diego Tardelli (Atlético-MG) e Alexandre Pato (Milan)

O trio de ataque santista recebe a oportunidade de maneira justa por ter encantado o Brasil no primeiro semestre. Precisa, no entanto, voltar a jogar bem, pois após a Copa do Mundo a turma da Vila não vem exibindo o mesmo futebol de antes. Dos 3, talvez André tenha sido a maior surpresa, mas sua idade olímpica justifica a presença na lista.

Diego Tardelli é outro que recebeu oportunidades de Dunga e que este ano conseguiu manter as boas atuações. Na minha opinião, porém, sua convocação só saiu porque Fred, do Fluminense, machucou-se no clássico contra o Botafogo, domingo, e não teria condições de jogo contra os Estados Unidos.

Alexandre Pato é, pra mim, o futuro herdeiro da camisa 9 da Seleção Brasileira.

sábado, 24 de julho de 2010

E o Mano disse sim...

Amigos do Passando a Bola, depois de um tempinho de "férias" após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, volto ao blog para escrever justamente sobre a Seleção Brasileira, que, neste sábado, finalmente confirmou seu novo treinador: Mano Menezes.

Antes de analisar a escolha de Mano, não posso deixar passar a mancada que deu a CBF na figura de seu presidente, que em rede nacional, ao vivo no Globo Esporte, confirmou o acerto com Muricy Ramalho antes do técnico tricolor comunicar ao Fluminense, com o qual tem contrato apalavrado até 2012. Pois bem, Teixeira cometeu erro primário. Achou que a Seleção estava acima de questões contratuais e que o contato de Muricy com o Flu seria apenas uma formalidade. Resultado: uma barriga (como dizemos no meio jornalístico) de grandes proporções, que respinga até no próprio Mano Menezes, já que o corintiano entra no cargo como a segunda opção.

Mas é claro que isso não diminui em nada o mérito de Mano pela escolha. Pelo contrário. Ele e Muricy eram realmente os mais preparados para assumir o Brasil neste momento em que todos clamam por uma renovação após o fiasco de Dunga na África do Sul. Mano é renovação por ser sua primeira oportunidade no comando da Seleção, um profissional que desde 2005 está em ascenção. É, no entanto, uma "renovação experiente", que carrega na bagagem ótimas passagens por dois gigantes do futebol nacional: Grêmio e Corinthians, clubes em que o treinador teve que fazer um trabalho de reconstrução até parecido com o momento atual brasileiro.

Outro fator positivo de Mano é que sua postura em relação à imprensa é exatamente oposta ao seu antecessor. Sempre calmo e educado, o novo técnico da Seleção não é de ficar distribuindo patadas gratuitas nos jornalistas, além de adotar uma postura bem mais democrática com seu trabalho. Prova disso é o twitter pessoal, o segundo com mais seguidores no Brasil, onde o técnico sempre mantém o contato com os torcedores.

Por tudo isso que escrevi, e também pelo fato do antecessor ter sido tão questionado por todos, a expectativa pelo trabalho de Mano Menezes é ótima. Será uma missão dura, que não deve e nem pode ser feita da noite para o dia. Uma missão de 4 anos que tem como objetivo principal devolver ao torcedor brasileiro o prazer de torcer pela Seleção para que em 2014 o Brasil entre na Copa do Mundo como o grande favorito ao título.

Então só me resta desejar boa sorte!