segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rapidinhas de Domingo - Bota respira em Goiânia

O Botafogo conseguiu o que muitos consideravam impossível. Após 11 rodadas sem vitória, na 18ª colocação, o Alvinegro foi até o Serra Dourada e derrotou o Goiás, quarto colocado, por 3 a 1, com justiça. Para se ter noção do tamanho do feito botafoguense, o Esmeraldino não perdia em casa desde a 11ª rodada (quando caiu diante do Avaí, por 2 a 0) e o último triunfo do time carioca sobre o Goiás, fora de casa, havia sido em 1995, ano em que o clube foi campeão brasileiro. De quebra, os três pontos aliviam a pressão em cima do técnico Estevam Soares, que conquistou sua primeira vitória no comando do Bota no Brasileirão, e do vice de futebol, André Silva, e do gerente de futebol, Anderson Barros, que tiveram suas demissões requisitadas pelo Conselho Deliberativo. Nesta segunda, uma reunião será realizada em General Severiano para lavar a roupa suja e definir todas essas situações. Mas em função do ótimo resultado em Goiânia, acredito que nada vá mudar.

Porém, apesar de finalmente ter conseguido vencer, o Botafogo não deixou a zona de rebaixamento. É o 17º, com 28 pontos, mesma pontuação do 16º, Santo André, mas perde no número de vitórias (7 a 5). Como lembrou o companheiro Victor Valente, quando comentávamos sobre a rodada, o Alvinegro teve inúmeras oportunidades de deixar o chamado Z-4 e não conseguia vencer. Quando o fez, não saiu das últimas posições. Agora vai ter que engatar uma sequência para se distanciar do perigo. E tem uma boa chance para isso, afinal tem dois jogos consecutivos em casa: Atlético-MG e Avaí. O problema é que o Bota tem a pior campanha como mandante do Brasileirão, com apenas 3 vitórias em 14 jogos (6 empates e 5 derrotas) - 35,7%. Está na hora da torcida gloriosa apoiar a equipe e fazer do Engenhão uma arma.

O Goiás, talvez desgastado pelo jogasso do meio de semana diante do Cerro Porteño, foi presa fácil. O Esmeraldino caiu da 2ª para a 4ª colocação e começa a se preocupar com os rivais que estão abaixo na briga pela Libertadores. E o Hélio dos Anjos mais uma vez reclamou. Que mala!

- O Grêmio marcou bobeira e empatou com o vice-lanterna Sport, no Olímpico, por 3 a 3, depois de estar três vezes na frente no placar. O Tricolor perdeu a chance de encostar ainda mais no G4. Jonas fez um belo gol e chegou aos 14 no campeonato, vice-artilheiro ao lado de Diego Tardelli. Maxi López marcou os outros dois. Pelo Sport, Vandinho, Paulinho e Fininho foram os autores dos gols. Foi o segundo empate nos últimos 3 jogos que o Grêmio fez em casa, o que é péssimo para uma equipe que tem a melhor campanha como mandante (10 vitórias, 4 empates e 0 derrota).

Já o Sport segue, mesmo que lentamente, sua recuperação. Com 24 pontos, a distância para o Santo André, primeiro clube fora da zona de rebaixamento, é de 4 pontos. Neste segundo turno, o desempenho do Leão da Ilha melhorou muito. São 11 pontos em 8 partidas. Se cosiderarmos que na primeira metade do campeonato foram 13 pontos em 19 jogos, a torcida rubro-negra pode ter esperanças de escapar da Série B ano que vem.

- O Internacional realmente perdeu o rumo. Depois de ser eliminado no meio da semana pelo Universidad do Chile, na Sul-Americana, o Colorado foi derrotado novamente, desta vez para o Coritiba, por 2 a 0. Nos últimos 4 jogos, apenas um ponto somado. Foram três derrotas e um empate. No segundo turno, o Inter faz campanha pífia: apenas 7 pontos em 8 jogos, a terceira pior campanha nesta segunda metade do Brasileirão. Por causa dessa queda livre de desempenho, o Colorado deixou o G4 pela primeira vez no campeonato. Era o único time que permanecia entre os quatro primeiros em todas as rodadas. Tite está balançando e desta vez não é só a torcida que pega no pé. A diretoria também já mostrou insatisfação publicamente com as atuações da equipe. E elenco não falta. O que será que está acontecendo? Ficar fora da Libertadores será uma vergonha.

O Coritiba, por sua vez, praticamente deu adeus definitivo ao fantasma da Série B. Nas últimas 9 partidas, foram 5 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Apesar de estar na 15ª posição, são 5 pontos de vantagem em reação ao 16º colocado. E o Coxa não tem time para cair.

- Na Ressacada, o empate em 2 a 2 entre Avaí e Cruzeiro praticamente sepultou as chances de ambas as equipes de entrarem na briga pela Libertadores. Mas evidencia momentos distintos dos dois times. O Avaí, depois de um período impressionante, no qual ficou 11 partidas invicto, voltou ao "normal". Nos últimos 6 jogos, foram 4 derrotas, 1 empate e apenas 1 vitória. Aquela gordurinha acumulada agora faz a diferença e dificilmente o time catarinense vai correr riscos até o final do Brasilerão. O Cruzeiro, por sua vez, melhorou demais. Tem a quinta melhor campanha do returno, com 14 pontos, e o que mais chama a atenção é o desempenho fora de casa: são sete jogos como visitante sem perder (4 vitórias e 3 empates). Se no Mineirão a equipe fosse um pouquinho melhor, talvez estaria brigando mais em cima na tabela.

domingo, 4 de outubro de 2009

Os grandes vencedores do domingo

Das quatro equipes que venceram neste domingo, duas podem considerar a 27ª rodada como perfeita: Flamengo e Palmeiras. Não só porque venceram clássicos estaduais com autoridade, mas principalmente porque consolidaram suas aspirações no campeonato. O Rubro-Negro chegou as 41 pontos, na sexta posição (melhor colocação do clube na competição; na 4ª, na 7ª e na 9ª rodadas também esteve na mesma colocação), a apenas 4 pontos do G4. O Verdão foi para 53 pontos e voltou a abrir 5 pontos de vantagem para o vice-líder, São Paulo. O time de Muricy Ramalho completou 13 rodadas na liderança e caminha a passos largos rumo ao título. Mas vamos falar separadamente de cada jogo.

No Maracanã, recorde absoluto de público no Brasileirão: 78.409 pagantes, 82.566 presentes. Destes, mais de 80% eram flamenguistas, que viram a equipe de Andrade derrotar com autoridade o Fluminense por 2 a 0. Adriano, mais uma vez, foi o destaque da partida, marcando os dois gols e chegando aos 15 no campeonato, artilheiro isolado. Mas outros nomes também foram muito importantes na vitória, dentro e fora de campo. Zé Roberto voltou a jogar muito bem. Na primeira etapa, em que o Flamengo pouco criou, foi o mais lúcido em campo ao lado do Imperador. Na segunda etapa continuou se destacando e fez a jogada do primeiro gol, depois quase deixou o seu, mas Rafael fez ótima defesa. Willians também foi muito bem. O volante entrou depois do intervalo e atuou quase como um ponta direita, alternando jogadas por aquele lado com Léo Moura. Que pulmão tem esse rapaz! Além de atacar constantemente, também marcou muito, correu demais, desarmando vários ataques tricolores.

Mas o elogio maior vai para o Andrade. A cada jogo o Tromba mostra seu valor, prova que não é o treinador por acaso. Ele mudou o esquema batido que o Flamengo usava desde 2007, implantou um 4-2-3-1, no qual o Rubro-Negro não só não leva gols, como joga bonito no ataque. São seis jogos sem sofrer gols e 11 gols marcados neste período. Só para se ter uma ideia, antes dessa sequência invicta, a zaga da equipe chegou a ser a terceira pior da competição. Hoje, seis partidas depois, é a quarta melhor ao lado do Atlético-MG (36 gols sofridos).

No clássico deste domingo, Andrade também teve papel fundamental. Tirou Denis Marques, que estava muito mal, no intervalo e colocou Willians aberto pela direita, fazendo função quase que de ponta, mas com obrigações defensivas. O mesmo fez Zé Roberto pela esquerda. Ou seja, o Tromba está cheio de moral e com merecimento. Mas nas próximas duas rodadas terá um desafio: armar o time sem Adriano, que estará com a Seleção Brasileira.

O Fluminense... Bem, sejamos francos. O time do Fluminense é muito fraco. Até teve chances esporádicas no primeiro tempo, mas em nenhum momento teve controle do jogo. Rafael e Conca são os únicos que se salvam e, claro, isso não é o suficiente. Se a torcida tricolor tinha alguma esperança de não cair, após essa derrota acho que fica muito, mas muito complicado do Flu não disputar a Série B ano que vem. São 7 pontos de diferença para o Santo André, primeiro clube fora da zona de rebaixamento. O site Infobola dá 97% de chances de cair. Só um milagre salva.


O Palmeiras está com cara de campeão. Saiu atrás no placar diante do Santos, na Vila Belmiro, mas teve calma para virar o jogo e vencer por 3 a 1. Foi a terceira vitória seguida do Alviverde, que, como escrevi, voltou a abrir 5 pontos de vantagem pra o segundo colocado. Diego Souza, Robert e Vágner Love marcaram para a equipe de Muricy Ramalho, que aumentou sua vantagem no confronto direto com Vanderlei Luxemburgo: em 20 partidas, foram 11 vitórias do palmeirense contra 6 do santista, além de 3 empates. A estrela de Muricy, aliás, brilha intensamente. O tricampeão brasileiro assumiu o Palmeiras na 15ª rodada e logo de cara se estabeleceu na liderança para não sair mais. São 13 rodadas na primeira posição e, curiosamente, a campanha tem a cara do treinador: esta vitória foi a primeira por mais de um gol de diferença com ele no comando a equipe. Os números do líder impressionam pela regularidade, tanto em casa quanto fora: é o melhor visitante do campeonato (6 vitórias, 4 empates e 4 derrotas -52,4% de aproveitamento) e o segundo melhor mandante (9 vitórias, 4 empates e 0 derrotas - 79,5% de aproveitamento), atrás apenas do Grêmio.

Diego Souza mais uma vez jogou muita bola, fez um gol e deu assistência para outro. Vai se firmando como o grande jogador deste Brasileirão. Porém, assim como Adriano, vai desfalcar a equipe nas próximas duas rodadas pois estará com a Seleção Brasileira. Ah, esse calendário!

O Santos, segundo o próprio Luxemburgo, tem que olhar para 2010. Neste Brasileiro não dá para fazer mais nada, a não ser continuar no meio da tabela, com um vaguinha na Sul-Americana.

sábado, 3 de outubro de 2009

O que vale são os três pontos

Mesmo sem jogar bem o Atlético-MG fez 2 a 1 no Barueri e entrou novamente no G-4, pelo menos até o final da rodada, neste domingo. O Galo chegou aos 47 pontos, na terceira colocação, e, de quebra, tem o novo artilheiro isolado do Brasileirão: Diego Tardelli, que marcou seu 14º gol na competição. A equipe de Celso Roth venceu quatro dos últimos cinco jogos e entrou de vez na briga pelo título. Muito em função dos reforços que chegaram, fundamentais nesse triunfo diante do caçula da Série A. O Barueri, por sua vez, segue fazendo campanha digna de quem integra a elite do futebol brasileiro pela primeira vez. Tem 36 pontos e está na 11ª posição. Somente uma tragédia faria com que o Abelha fosse rebaixado e a chance de conseguir uma vaga na Sul-Americana é bastante razoável.

Voltando a falar do Atlético, como já venho escrevendo aqui desde o início do camnpeonato, o grande problema de Roth era não contar com um elenco qualificado. Os 11 titulares eram bons, formavam uma boa equipe, mas bastava um deles sair, seja por lesão, suspensão ou qualquer outro motivo, e o time desandava. Talvez por isso, após liderar por 8 rodadas, o Galo deu uma oscilada e caiu na tabela. Quando muitos (inclusive eu!) o adjetivaram de paraguaio e descartaram a equipe da briga por título, eis que os atleticanos voltam com tudo. E essa arrancada vem no momento certo, já que nos aproximamos da reta final.

A chave para a retomada é simples: boas contratações. Dos 13 jogadores que entraram em campo nesta vitória diante do Barueri, seis chegaram no decorrer do campeonato. Quatro deles foram titulares: o goleiro Carini, que defendeu um penalti, o zagueiro Jorge Luiz, rebaixado com o Vasco ano passado, mas que vem jogando muito bem no Galo, o volante/meia Corrêa, que fez um belo gol de falta, e o meia Evandro. Renteria e Ricardinho entraram na segunda etapa. Isso sem contar outros jogadores que ficam no banco e têm qualidade, casos de Coelho, Renan, Junior, Wellington Saci, Alessandro, Pedro Oldoni. Ou seja, Celso Roth tem opções para mexer na equipe quando tem necessidade. E isso, num campeonato de pontos corridos, faz a diferença.

Por isso o Atlético está mais do que nunca na disputa pelo bicampeonato brasileiro. E com o apoio da fanática massa atleticana, maior média de público do Brasileirão, a equipe é ainda mais forte. Mas mesmo que o time não consiga ser campeão e até mesmo não se classifique para a Libertadores, só o fato do Galo voltar a figurar entre os primeiros da tabela já é uma ótima notícia para a torcida. Esta campanha é disparada a melhor do clube na história dos pontos corridos (desde 2003). Confira abaixo o desempenho do Atlético nos anos anteriores após 27 rodadas:

2008 - 34 pontos
2007 - 32 pontos
2006 - estava na Série B
2005 - 29 pontos
2004 - 30 pontos
2003 - 40 pontos

- O xará paranaense do Galo também está em recuperação e cada vez mais longe do risco de rebaixamento. O Atlético-PR derrotou o Corinthians com autoridade por 3 a 1 , no Pacaembu, e chegou aos 34 pontos, oito a frente do Náutico, o clube que abre o Z-4. Paulo Baier faz a diferença no meio-campo e a dupla W (Wallyson e Wesley), com muita habilidade e velocidade, dá muito trabalho no ataque. Destaque também para o volante colombiano Valencia e para o zagueiro Manoel. Méritos para Antônio Lopes, que assumiu o Furacão quando o time estava muito mal, na zona de rebaixamento, e agora já coloca o Rubro-Negro na briga por vaga na Sul-Americana. Já o Timão completou seu quarto jogo sem vitória e deu adeus definitivo à briga pelo título. Agora resta ao Corinthians se arrumar para 2010, ano de seu centenário e que disputará a Libertadores. E preparar também o Ronaldo, que está mais gordo do que nunca.

- O Santo André, depois de cinco jogos, venceu o Vitória por 1 a 0, gol de Nunes logo aos 33 segundos de jogo. Com o resultado, o Time do ABC deixa a zona do rebaixamento após quatro rodadas e se garante fora pelo menos até a próxima rodada. Já o Vitória, que vinha de três triunfos consecutivos e cinco partidas invicto, perdeu boa chance de se aproximar do G-4. Deve ficar por ali, entre os 10 primeiros do campeonato. Uma posição honrosa para o Leão.

Um recado rápido para esses aí da foto (e aos outros que integram o comitê de organização da Olimpíada 2016):

ESSA É A ÚLTIMA CHANCE DE FAZERMOS DO BRASIL UM PAÍS MELHOR EM TODOS OS SENTIDOS. VOCÊS TERÃO DINHEIRO E TEMPO SUFICIENTE PARA TRANSFORMAR O RIO DE JANEIRO NUMA CIDADE DE PRIMEIRO MUNDO. CUMPRAM AS PROMESSAS:

- DESPOLUAM AS LAGOAS E A BAÍA DE GUANABARA;
- AMPLIEM A LINHA DO METRÔ E CRIEM FAIXAS EXCLUSIVAS PARA ÔNIBUS (O TRÂNSITO AGRADECE);
- MELHOREM OS HOSPITAIS PÚBLICOS E NOSSAS ESCOLAS;
- DEEM OPORTUNIDADES PARA QUE NOSSAS CRIANÇAS POSSAM SER CIDADÃOS MELHORES;
- DIMINUAM OS NÚMEROS ATERRORIZANTES DA VIOLÊNCIA;

NÃO DESTRUAM O ORGULHO E A ESPERANÇA QUE O POVO CARIOCA E BRASILEIRO ESTÁ SENTINDO NO MOMENTO.
Obrigado. O Rio de Janeiro agradece.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Batalha dos Aflitos II

Antes de mais nada, eu sei que não fui nem um pouco original em meu título. Afinal, devem ter milhares de textos, matérias e colunas falando sobre o jogo entre Náutico e São Paulo, ontem, com esse mesmo título. Mas não estou nem aí, até porque não encontrei algo melhor e mais apropriado do que isso. Os próprios jogadores são-paulinos definiram assim o triunfo heroico na casa do Timbu, depois de estar perdendo o jogo e de ter ficado, em dado momento, com dois jogadores a menos em campo. De quebra, o Tricolor quebrou um jejum que durava 14 anos. A última vez que o time havia vencido o Náutico, no Recife, foi em 1995, pela Copa do Brasil (4 x 1). Pelo Brasileirão da Série A o tempo era ainda maior: 1982 (também 4 x 1).

Foi um jogaço nos Aflitos, um dos melhores deste campeonato, com certeza. O Náutico, jogando diante de sua torcida, precisava da vitória desesperadamente para abrir distância da zona de rebaixamento. O time pernambucano não vencia há quatro rodadas (sendo duas delas em casa) e só não tinha entrado no chamado Z-4 porque seus rivais na parte de baixo da tabela são ainda mais incompetentes. O São Paulo, por sua vez, vinha de dois empates consecutivos e, cinco pontos atrás do líder Palmeiras, também precisava vencer para não ver o rival abrir ainda mais vantagem na primeira colocação.

Talvez por isso a partida tenha começado em um ritmo frenético, principalmente por parte dos donos da casa. O Timbu foi pra cima desde o início e só não abriu o placar antes dos 10 minutos porque Bruno Mineiro bateu muito mal o penalti que Patrick sofreu. Bosco também teve mérito por ter acertado o canto e defendido a cobrança. Porém, o Alvirrubro não sentiu e continuou em busca do gol, que saiu aos 12, com o próprio Bruno Mineiro aproveitando bate-rebate na zaga tricolor. A partir daí o jogo ficou aberto, com os dois times tentando o gol a todo momento. Até que Junior César sofreu falta de Patrick, reclamou acintosamente com o árbitro Francisco Carlos Nascimento, recebeu o segundo amarelo e acabou expulso. A tarefa do Náutico pareceu que seria facilitada, mas o São Paulo conseguiu se segurar até o intervalo.

Quem esperava que a equipe de Ricardo Gomes voltaria cautelosa se enganou. Mesmo com 10 em campo, o Tricolor foi pra cima tentando o empate e a partida ficou lá-e-cá, com os dois times alternando ataques perigosos. Bosco e Glédson se destacavam com boas defesas, até que Hernanes cobrou falta da entrada da área, a bola desviou na zaga e enganou o goleiro alvirrubro: 1 a 1. Aí Richarlysson tratou de tentar estragar a reação tricolor ao cometer falta boba no meio-campo e ser expulso. Com dois a mais, o Náutico foi com tudo para o ataque. Geninho colocou quatro atacantes em campo, mas esqueceu da defesa e o Timbu ficou exposto aos contra-ataques são-paulinos, sempre assustando. O time pernambucano cansou de perder gols e, como se diz há anos no futebol, quem não faz, leva. Em contra-ataque, Oscar rolou para Hugo encher o pé, de primeira, um golaço! Antes disso Claudio Luiz tinha sido expulso e depois foi a vez de Michel também levar cartão vermelho.

Final de jogo e muita comemoração (merecida) do São Paulo. O Tricolor "roubou" a vice-liderança do Goiás e diminuiu a diferença para o Palmeiras para 2 pontos, pelo menos até o final de semana.

Já o Timbu vai ter que depender da incompetência dos rivais para permanecer fora da zona de rebaixamento, mas precisa reagir logo, pois foi a quinta partida sem vitória. Apenas torcer contra não é suficiente para salvar alguém da degola.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

LECCIÓN DE ESTUDIANTES

Sem dúvida o Estudiantes é o melhor time argentino no momento. O ano de 2009 foi a prova disso. O clube pode fechar o ano com mais uma conquista, desta vez a nível nacional. No primeiro semestre, a equipe comandada por Alejandro Sabella priorizou a Libertadores da América e levou o troféu de volta para La Plata, quebrando um jejum de 39 anos. Àquela altura, o Torneio Clausura foi deixado de lado e o Estudiantes fez uma campanha ruim, mas quem se importava? Agora, no segundo semestre, Verón e sua trupe têm grande chance de ganhar o Torneio Apertura. Jogando sem pressões, uma vez que a equipe já está classificada para a próxima Libertadores e não está na Copa Sul-Americana, os pincharatas podem se dedicar exclusivamente ao Campeonato Argentino. Ganham porque mostram ambição. A sede pela vitória os move.

No último fim de semana, o Pincha derrotou sem fazer muito esforço a um debilitado Boca Juniors por 2 a 1. Eu digo sem esforço porque se o Estudiantes jogasse como jogou a final da Libertadores o placar seria maior. Calderón e Enzo Pérez(foto) anotaram para o conjunto de La Plata, enquanto o incansável Palermo deixou mais um a favor do Xeneize, que mais uma vez não contou com Riquelme. O 10 ainda sente uma lesão no tornozelo esquerdo e também vai desfalcar o Boca na próxima rodada frente o Vélez, na Bombonera.

Se o Estudiantes é um aluno aplicado, o mesmo não pode-se dizer do Boca. A equipe faz a sua pior campanha na História. Isso mesmo! Desde que o profissionalismo foi implantado na Argentina, em 1930, o Boca Juniors nunca teve um ano tão ruim como 2009. Até aqui o Boca conquistou apenas 36% dos pontos em disputa. Isso somando o aproveitamento atual com o do Clausura. Em 25 jogos disputados em torneios locais foram sete vitórias, seis empates e 12 derrotas. O time ainda não conseguiu vencer duas partidas consecutivas, uma lástima. Com isso, o técnico Alfio Basile fica cada vez mais isolado. Já perdeu o apoio da direção do clube e um resultado que não seja a vitória frente ao Vélez pode lhe custar o cargo.
Se jugó la fecha

A sexta rodada teve um momento de rara beleza. O golaço de Cristaldo, do Vélez. Uma bicicleta perfeita para marcar o segundo gol na vitória de 2 a 0 do Fortín sobre o Huracán, no José Amalfitani. O clube de Liniers segue na disputa com dois pontos a menos em relação ao Estudiantes. Já o Globo sente muito a ausência de seus jogadores negociados, Defederico e Pastore. O clube de Parque Patrício marcou apenas um ponto em seis rodadas e é o lanterna. Desta maneira a classificação para a próxima Libertadores fica ameaçada.

O River bem que tentou e quase venceu. Depois de estar vencendo por 2 a 0, com gols de Villalba e Buonanotte, o Millonário deixou o Gimnasia empatar a partida. Os gols do Tripero foram de Ormeño e Cuevas. Isso em pleno Monumental de Núñez. No clássico de Avellaneda, vitória do Independiente sobre o Racing, 2 a 1. E como último destaque, o triunfo do San Lorenzo, fora de casa, sobre o Tigre por 3 a 2. Detalhe que o técnico do Ciclón, Simeone, escalou nove jogadores da base. A prioridade nos lados do Bajo Flores é a Copa Sul-Americana.
Demais jogos: Godoy Cruz 2 x 4 Argentinos, Banfield 2 x 1 Newell’s, Chacarita 1 x 0 Arsenal, Rosário Central 0 x 1 Colón, Atlético Tucumán 2 x 2 Lanús.

Classificação: Estudiantes 16, Vélez 14, Banfield 14, Rosário Central 13, Argentinos 12, Colón 11, Independiente 10, San Lorenzo 10, Newell’s 10, Godoy Cruz 8, Atlético Tucumán 7, Arsenal 7, Boca 5, River 5, Lanús 5, Gimnasia 5, Racing 4, Chacarita 3, Tigre 3 e Huracán 1.

Pontuação para a Libertadores: Colón 45; Lanús 43; Huracán 39; Rosário Central 38; Banfield 37**Os três primeiros nesta classificação vão para a Libertadores, juntamente com Estudiantes e Vélez Sarsfield, já classificados, e o campeão do atual Torneio Apertura.

Es solo fútbol!
“Tomara que caia um temporal e o avião não chegue”. A frase foi dita pelo técnico do Cienciano, Marcelo Trobbiani, sobre o confronto com o San Lorenzo, pela Copa Sul-Americana, na próxima quinta-feira. Na primeira partida, o time argentino venceu por 3 a 0. Os peruanos precisam marcar pelo menos quatro gols de diferença para se classificar de maneira direta.

Por Raphael Martins

terça-feira, 29 de setembro de 2009

FARRA DO BOI NA TERRA DO PATINHO FEIO

Olá blogueiros. Ontem na décima sétima edição do Passando a Bola – Mesa Redonda, o nosso amigo, Felipe Vasconcellos, deu um toque final espetacular. Felipe tratou de se posicionar de forma dura e objetiva contra a candidatura do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016 (3ª bloco do Passando a Bola – Mesa Redonda). Vale lembrar que o anúncio da cidade vencedora acontece nesta sexta-feira, em Copenhague, na Dinamarca.

O toque final do Felipe me motivou! Já venho há algum tempo amadurecendo um posicionamento contrário à candidatura carioca. Principalmente depois da farra do boi que virou a administração do dinheiro público. Se a gente não tem a capacidade de cumprir os encargos Pan-Americanos, como vamos cumprir as exigências olímpicas? Com isso, o que me faz pensar que agora tudo será diferente? Por isso sou contra!

E tem mais, não posso ser a favor de uma candidatura que apenas para preparar a divulgação (publicidade), dossiê (700 kg) para apresentação, viagens para Europa, banquetes e bajulação para políticos, dirigentes e membros do COI, gasta um valor de 100 milhões de Reais. 80% desse valor está saindo dos cofres públicos por intermédio do Ministério dos Esportes. É bizarro ver um bando de políticos e dirigentes sendo bancados em hotéis de luxo e restaurantes cinco estrelas. Enquanto isso, na Cidade Maravilhosa, um sequestrador ameaça refém por algumas horas e tem que ser abatido com um tiro na cabeça.

Outro ponto que me deixa muito (P) da vida! É o desperdício do dinheiro, do nosso dinheiro. Há dois anos esse mesmo Comitê Organizador (dirigido pelo secretário Carlos Roberto Osório) gastou 610 milhões de reais com os equipamentos olímpicos (estrutura física onde se realiza os eventos esportivos) incluindo a Vila Pan-Americana. Com exceção do Estádio Olímpico João Havelange, todas as praças (Parque Aquático Maria Lenk, Velódromo, Hípica de Deodoro, complexo do Maracanã e Riocentro) vão receber investimentos para ampliação e melhoria para os Jogos 2016, caso o Rio seja escolhido. Os milhões gastos em 2007 serviram para que?

Infelizmente não para por aí. A Vila Pan-Americana, construída para o Pan de 2007, não será reaproveitada para uma possível Olimpíada. O equipamento que teve um orçamento de 267 milhões de Reais está largado. A promessa de se tornar um condomínio moderno e familiar caiu por terra. A empreiteira responsável não finalizou as obras POR FALTA DE PAGAMENTO e as poucas famílias que vivem lá lutam na justiça, até hoje, por uma solução. Mas está tudo bem, o programa olímpico prevê uma gigantesca Vila Olímpica nas proximidades do Riocentro. Com direito a praia particular para os atletas e outros requintes.

Fica a pergunta: Por que não construir uma Vila para o Pan, que pudesse ser aproveitada para os Jogos Olímpicos?

O investimento para os equipamentos olímpicos estão na casa dos 1,3 bilhões de Reais. Ao meu ver, parece um aporte financeiro para uma cidade que não possui nenhuma estrutura esportiva. Nem parece que o Rio sediou um Pan-Americano há dois anos. Por isso que eu, o Felipe e mais um monte de gente não torce por essa vitória em Copenhague. Como eu vou ser a favor de colocar toda essa grana (cerca de 30 bilhões de Reais) nas mesmas mãos que superfaturaram o orçamento do Pan em 1000%? E essas mãos são de Carlos Arthur Nuzman - Presidente do COB e do Comitê Organizador -, Ruy Cezar - Secretário para Rio 2016 da Prefeitura - e Carlos Roberto Osório - Secretário geral do Comitê Rio 2016.

Como todos sabem o anúncio da sede será feito em Copenhague na Dinamarca. Vocês sabem quem é o maior ídolo da cidade? É o escritor Hans Christian Andersen (1805-1875). Andersen foi o criador da fábula "O Patinho Feio". A história do sofrimento do filhote de cisne que, por ser diferente da ninhada de patos com que havia sido criado, era marginalizado e chamado de “patinho feio” comoveu gerações. Na história o filhote cresce e se torna um lindo Cisne.

Parece um capricho do destino que a cidade onde será anunciada a sede dos Jogos seja exatamente a cidade onde nasceu o Patinho Feio. Fazendo uma metáfora, o Rio seria esse patinho feio entre os finalistas. Das quatro cidades que disputam os jogos o Rio, é a menos preparada. Uma cidade de um país de terceiro mundo, com alto índice de criminalidade, corrupção, pobreza, etc. Concorrendo com grandes cidades de três potências (Espanha, Japão e Estados Unidos). Na mídia especializada, Rio e Chicago polarizam a disputa. Mais uma vez o Rio é o patinho feio. Chicago é a cidade onde o Presidente Barack Obama fez sua carreira politica e onde conheceu sua esposa Michelle. É a casa do homem do momento no mundo.

Seria o palco perfeito para o Rio vencer e mais uma vez a metáfora do escritor dinamarquês se tornar realidade na vida real. Mas amigos, se o Rio se tornar sede dos Jogos 2016 esse conto não será de fadas e sim do vigário.